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Homologação de parceiros: o novo desafio para ecossistemas tecnológicos

29 de outubro de 2026
Homologação de parceiros: o novo desafio para ecossistemas tecnológicos

Destaques

  • •Empresas de tecnologia buscam parcerias estratégicas para inovar, mas enfrentam desafios na homologação de terceiros.
  • •Riscos cibernéticos e regulatórios impulsionam a necessidade de uma gestão de terceiros mais rigorosa e ágil.
  • •O futuro exige processos de homologação que equilibrem velocidade de mercado com segurança e conformidade.

A homologação de fornecedores, antes vista como mera burocracia, ganha contornos estratégicos no ambiente corporativo atual, especialmente no setor de tecnologia. A crescente complexidade e velocidade da inovação, impulsionada por áreas como inteligência artificial, cloud e cibersegurança, levam grandes empresas a formar ecossistemas com startups e companhias especializadas. Essa colaboração, contudo, traz consigo o desafio de gerenciar os riscos associados a múltiplos parceiros, que podem afetar a entrega final de um projeto e a reputação da empresa principal.

A necessidade de uma due diligence de terceiros mais robusta é evidenciada por pesquisas globais. Um estudo da KPMG com 851 organizações indica que 83% dos executivos planejam expandir suas redes de parceiros nos próximos três anos, com o compliance regulatório e os riscos cibernéticos sendo fatores cruciais na gestão de terceiros. O Global Cybersecurity Outlook 2026, do World Economic Forum, aponta que 65% das grandes empresas consideram vulnerabilidades de terceiros e da cadeia de suprimentos como o maior desafio para a resiliência cibernética, um aumento significativo em relação ao ano anterior.

O choque entre agilidade e controle

O mercado de tecnologia vive um dilema entre a agilidade exigida por startups, com processos enxutos e ciclos rápidos de decisão, e as estruturas de governança mais complexas das grandes corporações. Essa diferença de velocidade e cultura pode criar atritos na formação de parcerias. O desafio reside em conciliar a rapidez necessária para aproveitar oportunidades de negócio com os controles indispensáveis para garantir a segurança e a conformidade dos parceiros envolvidos na entrega de um projeto.

Quando um projeto depende de diversas empresas, a responsabilidade final recai sobre a companhia que contratou a solução. Problemas financeiros, jurídicos, fiscais, reputacionais, operacionais ou de segurança de um parceiro podem comprometer todo o empreendimento. Por isso, a gestão de terceiros deve iniciar antes mesmo da entrada do parceiro no projeto, com clareza sobre suas responsabilidades, acesso a dados e o impacto de sua eventual indisponibilidade.

Homologação: mais que cadastro, uma avaliação de risco

A homologação, diferentemente do simples cadastro administrativo, é um processo de avaliação que verifica se uma empresa possui as condições necessárias para participar de uma entrega. Isso abrange regularidade jurídica e fiscal, saúde financeira, capacidade operacional, compliance e segurança da informação. A meta é tornar a homologação compatível com a velocidade dos novos ecossistemas e com o nível de risco de cada parceria, evitando que processos excessivamente longos resultem na perda de oportunidades ou na exclusão de parceiros inovadores.

É fundamental que a homologação seja proporcional ao risco apresentado por cada parceiro. Para startups, que trazem especialização e agilidade, os critérios devem preservar essa velocidade sem comprometer a segurança. Além disso, a avaliação não pode ser um evento único. A condição dos parceiros pode mudar, exigindo um monitoramento contínuo durante o relacionamento.

Ecossistemas tecnológicos e governança

Em um cenário onde nenhuma organização domina sozinha todas as tecnologias, a construção de ecossistemas se torna uma vantagem competitiva. Essa estratégia, no entanto, demanda uma governança capaz de gerenciar a complexidade das relações. Quanto maior a dependência de parceiros, maior a necessidade de conhecer, avaliar e monitorar quem participa das entregas. O diferencial competitivo estará em equilibrar a governança com a agilidade, evitando que a segurança se torne sinônimo de lentidão ou que a velocidade gere exposição desnecessária.

A supervisora de Contratos de Fornecedores da SONDA do Brasil, Keila Janaina Israel, ressalta que, ao colocar seu nome à frente de um projeto, uma empresa não oferece apenas sua competência, mas também a responsabilidade pelos parceiros escolhidos para a entrega conjunta.

O que diz a pesquisa

Um artigo publicado em 2025 na revista ARACÊ, intitulado "DUE DILIGENCE DE TERCEIROS COMO FERRAMENTA DE COMPLIANCE E MITIGAÇÃO DE RISCOS EMPRESARIAIS", analisa a importância da due diligence de terceiros como instrumento essencial de compliance e mitigação de riscos corporativos. Diferentemente da due diligence em fusões e aquisições (M&A), esta modalidade, voltada a fornecedores e parceiros, tem caráter cotidiano e preventivo. O estudo, baseado em revisão doutrinária, normativa e análise de documentos institucionais, demonstra como a adoção sistemática desse procedimento reduz riscos jurídicos, financeiros e reputacionais, fortalecendo a conformidade regulatória e a confiança nas relações negociais.

A pesquisa destaca os benefícios práticos, como maior segurança nas negociações, reforço da reputação institucional e melhoria na qualidade das decisões contratuais. Apresenta também os desafios, incluindo a complexidade regulatória e a diversidade de parceiros, integrando-se às rotinas empresariais como prática estratégica de governança.

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