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Hebron acolhe palestinos deslocados por ofensiva israelense antes de eleição

26 de outubro de 2026
Hebron acolhe palestinos deslocados por ofensiva israelense antes de eleição

Destaques

  • •Milhares de palestinos foram deslocados pela ofensiva militar israelense em Hebron, na Cisjordânia.
  • •A cidade declarou estado de emergência e moradores abriram suas casas para acolher os desabrigados, incluindo muitas crianças e idosos.
  • •A ofensiva ocorre às vésperas de eleições parlamentares em Israel, com o governo de Netanyahu buscando reforçar sua posição.

Moradores da cidade de Hebron, na Cisjordânia ocupada, abriram suas casas para acolher milhares de palestinos deslocados pela ofensiva militar israelense iniciada na última sexta-feira (23/10). A ação ocorre em um momento delicado, às vésperas da eleição parlamentar de terça-feira (27/10), que definirá a permanência do premiê Benjamin Netanyahu no poder.

A prefeitura de Hebron declarou estado de emergência e estabeleceu um comitê de crise, reunindo órgãos governamentais, setor privado e sociedade civil. Segundo as autoridades locais, quase metade dos deslocados são crianças e adolescentes, com 81 mulheres grávidas e 204 idosos entre as vítimas. A mobilização comunitária, segundo Al Jazeera, visa oferecer abrigo e evitar que as famílias expulsas permaneçam em abrigos temporários.

“Nossa cidade foi a primeira a prestar ajuda durante o confinamento da Covid e durante o genocídio. Hoje, nossos vizinhos precisavam de ajuda, então todos nos mobilizamos”, afirmou Riyadh Khamis, um dos integrantes do comitê de crise.

Ofensiva militar e "punição coletiva"

O prefeito de Hebron, Yousef al-Jabari, classificou a operação como uma “punição coletiva” contra a população palestina. Ele acusou as autoridades israelenses de impedir o acesso da imprensa e de utilizar a ofensiva e o fechamento da cidade para obter vantagens políticas antes das eleições. Pesquisas indicam que a coalizão de Netanyahu está ligeiramente atrás nas intenções de voto.

A ofensiva foi desencadeada após um ataque a tiros contra um posto de controle militar israelense na sexta-feira (23/10), que resultou na morte de dois soldados. Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, anunciaram uma forte resposta militar.

Destruição e ocupação de propriedades

Segundo The Guardian, cerca de 370 famílias foram forçadas a deixar suas residências, algumas das quais foram transformadas em posições militares pelo Exército israelense. No bairro de Farsh al-Hawa, uma área industrial com oficinas e uma fábrica de cerâmica foi reduzida a escombros. Em Ein Deir Baha, onde supostamente residia um dos envolvidos no ataque, famílias foram obrigadas a evacuar suas casas em minutos, com soldados ocupando os imóveis e os utilizando como bases operacionais.

O Exército israelense alegou que os moradores deixaram a região voluntariamente e que civis interessados em sair receberam autorização para retirada temporária. Essa versão foi contestada por palestinos, que relataram ordens de evacuação e ameaças. As forças israelenses também afirmaram que cerca de 2 mil habitantes pertenciam ao clã Jaba’a, supostamente associado ao Hamas, informação contestada por moradores que afirmam que o grupo familiar teria no máximo 150 integrantes.

Restrições de circulação e impacto eleitoral

Além da expulsão de milhares de moradores, a ofensiva afetou severamente a circulação de pessoas e mercadorias em Hebron. Na noite de domingo (25/10), as principais entradas da cidade permaneciam bloqueadas por barreiras de aço, impedindo a passagem de veículos. Os palestinos que vivem na Cisjordânia ocupada não têm direito a voto nas eleições israelenses, mas as decisões do próximo governo terão consequências diretas sobre suas vidas e a continuidade da ocupação militar.

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