Halloween: Das origens celtas ao festival americano

Destaques
- •O Halloween, celebrado em 31 de outubro, tem raízes no antigo festival celta Samhain, há mais de 2.500 anos.
- •A festa marcava a transição para o inverno e a crença de que a barreira entre o mundo dos vivos e dos mortos se enfraquecia.
- •A migração irlandesa para os EUA no século 19 popularizou a tradição, que evoluiu com costumes americanos como 'doces ou travessuras'.
O Halloween, celebrado mundialmente em 31 de outubro com fantasias, doces e abóboras esculpidas, tem origens que remontam a mais de 2.500 anos, ligadas ao antigo festival celta conhecido como Samhain. Este festival era um dos mais importantes no calendário celta, marcando a transição entre a metade iluminada do ano (primavera e verão) e a chegada do inverno, período associado à escuridão e à morte.
Segundo a tradição celta, na noite de 31 de outubro, a fronteira entre o mundo dos vivos e dos mortos se tornava tênue, permitindo que espíritos circulassem livremente. Acreditava-se que os mortos poderiam retornar para visitar os vivos e que fadas poderiam pregar peças. Para se protegerem, os celtas acendiam fogueiras e usavam disfarces para afastar entidades sobrenaturais.
A influência da Igreja e a cristianização
A veracidade de alguns relatos sobre o Samhain é incerta, pois poucos registros celtas originais sobreviveram. Grande parte do conhecimento atual vem de escritores cristãos ou de observações mais recentes. Há indícios de que a Igreja Católica tenha tentado adaptar a celebração pagã. Em meados do século 8, o papa Gregório 3º mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio para 1º de novembro, coincidindo com o Samhain. Especialistas sugerem que essa mudança visava 'cristianizar' o festival.
O nome 'Halloween' evoluiu de 'All Hallows’ Even' (Véspera de Todos os Santos), que designava a noite anterior ao Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro. Com o tempo, a expressão foi abreviada para 'Hallowe’en' e, posteriormente, 'Halloween'.
Da Irlanda para os Estados Unidos
A disseminação do Halloween para a América do Norte foi impulsionada pela Grande Fome na Irlanda, entre 1845 e 1852. A praga que devastou as plantações de batata, base da alimentação irlandesa, causou a morte de cerca de um milhão de pessoas e forçou muitos a imigrar para os Estados Unidos. Esses imigrantes levaram consigo suas tradições, incluindo o Samhain.
As primeiras referências ao Halloween na América do Norte surgiram logo após essa onda migratória. Em 1870, uma revista americana já o descrevia como um feriado 'inglês'. A celebração sofreu diversas modificações e incorporou práticas tipicamente americanas, como o 'doces ou travessuras', a escultura de abóboras, o uso de fantasias e a prática de sustos.
O Samhain hoje e o Halloween moderno
Atualmente, o Halloween é um dos maiores feriados não cristãos nos Estados Unidos. Para praticantes de religiões pagãs, como a Wicca e o Druidismo, o Samhain continua sendo uma festividade importante, celebrada como um momento de honrar ancestrais e de 'morte simbólica', onde desejos de deixar para trás o que não serve mais são queimados em fogueiras para abrir espaço para um novo ciclo.
Matérias originais
- Halloween não nasceu nos EUA: a festa celta de 2 mil anos que virou o Dia das Bruxas · super.abril.com.br



