Grupo usa IA para automatizar ataques a mais de 40 instituições financeiras no Brasil

Destaques
- •Grupo criminoso utilizou inteligência artificial para automatizar ataques a mais de 40 instituições financeiras e órgãos no Brasil.
- •A operação, batizada de "Open Ledger", explorou falhas em servidores para roubo de dados e manipulação de sistemas.
- •Instituições afetadas foram orientadas a trocar senhas, chaves e investigar registros para conter o ataque.
Um esquema de comprometimento em cascata, batizado de “Open Ledger” e conduzido por um grupo autodenominado “RedScanner”, afetou pelo menos 40 instituições financeiras e órgãos no Brasil. A investigação, divulgada pela empresa de inteligência de ameaças ZenoX, revelou o uso intensivo de agentes de inteligência artificial (IA) comercial para automatizar ataques e gerenciar infraestruturas de invasão. O relatório técnico foi compartilhado com exclusividade ao TecMundo.
O esquema veio à tona após uma falha operacional na infraestrutura central dos criminosos: um servidor com listagem de diretórios aberta e sem proteção na internet, localizado na Alemanha. O material coletado pelos analistas reuniu mais de 7 mil arquivos, incluindo transcrições de sessões de IA, ferramentas de comando e dados exfiltrados.
Inteligência artificial como força de trabalho ofensiva
O diferencial da operação foi o uso de agentes de IA como força de trabalho primária, operando 24 horas por dia. Segundo o relatório da ZenoX, o grupo utilizou instruções sistemáticas para anular travas de segurança de modelos de linguagem, permitindo que a IA gerasse códigos maliciosos e gerenciasse rotinas de varredura sem intervenção humana constante.
A estrutura contava com uma divisão de papéis entre cinco membros humanos, encabeçados por um administrador central, enquanto os agentes de IA realizavam o trabalho pesado de varredura, triagem de vulnerabilidades e testes de credenciais. O grupo tratava a própria operação como um produto, mantendo versionamento de ferramentas, contabilidade formal de custos e automação contínua.
Impacto setorial e vulnerabilidades dos criminosos
As ações do grupo abrangeram do roubo de dados de cartões de crédito a tentativas de manipulação de sistemas de produção em fintechs e escrituradoras de fundos. Entre os alvos documentados estão dezenas de organizações de grande porte em setores estratégicos. Em alguns casos, o grupo demonstrou capacidade controlada, gerando registros sintéticos e mantendo backups antes de realizar alterações para testar a resiliência dos sistemas.
Apesar da sofisticação técnica, o grupo sofreu com vulnerabilidades de armazenamento de sua própria segurança. Segredos, chaves SSH, credenciais, skills de IA e dumps de informações foram expostos no diretório principal do sistema de arquivos. Essa falha permitiu o mapeamento completo de atividades, servidores e métodos de exfiltração de dados.
Recomendações de segurança para as empresas
As instituições afetadas ou expostas na cadeia de suprimentos foram orientadas pela ZenoX a adotar medidas urgentes de contenção, mitigação e remediação. As recomendações incluem a troca imediata de senhas, tokens, chaves de API e credenciais de nuvem.
É fundamental investigar registros (logs) de bancos de dados, firewalls e sistemas de mensagens para identificar tráfego suspeito. Além disso, as empresas devem aplicar barreiras imediatas contra os endereços e indicadores de rede dos atacantes e proteger contas, removendo códigos de autenticação em duas etapas falsos e revisando permissões de aplicativos na nuvem.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na Revista ft em 2026, intitulado "A inteligência artificial como ferramenta de manipulação e fraude: impactos sociais e desafios regulatórios na era digital", analisou os impactos sociais, legais e tecnológicos do uso de IA em práticas fraudulentas, como phishing, deepfakes e engenharia social. A pesquisa qualitativa e exploratória, baseada em revisão bibliográfica interdisciplinar, demonstrou que a IA generativa aumenta a sofisticação de ciberataques, aprimorando a manipulação psicológica, falsificação de identidade e disseminação de desinformação em larga escala.
O estudo observou que grupos socialmente vulneráveis, como idosos, mulheres e adolescentes, tornam-se alvos preferenciais, sofrendo impactos financeiros, emocionais e reputacionais significativos. Concluiu-se que os desafios impostos pela IA vão além da dimensão técnica, exigindo estratégias multidimensionais focadas em literacia digital, fortalecimento regulatório, governança algorítmica e desenvolvimento ético de tecnologias emergentes.



