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Governo Federal investigará 45 casos de violência política pós-eleição

28 de outubro de 2026
Governo Federal investigará 45 casos de violência política pós-eleição

Destaques

  • •O governo federal anunciou o reforço nas investigações de 45 episódios de violência política registrados após o segundo turno das eleições presidenciais.
  • •Os casos incluem 10 homicídios, 14 agressões físicas, sete atropelamentos intencionais e cinco disparos de arma de fogo, com vítimas apoiadoras do presidente Lula e autores apontados como apoiadores de Flávio Bolsonaro.
  • •A Polícia Federal abrirá inquéritos para crimes de violência política de gênero, eleitorais e violação de direitos humanos, buscando coibir a impunidade.

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (28) que intensificará as investigações sobre 45 episódios de violência política ocorridos no país entre os dias 24 e 25 de novembro, após a proclamação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que não haverá impunidade para crimes cometidos sob o pretexto de divergências eleitorais.

Ao todo, foram contabilizadas 47 vítimas em diferentes tipos de agressões. Entre os casos mais graves, destacam-se 10 mortes, sendo três de indígenas. Outras ocorrências incluem sete atropelamentos intencionais, 14 agressões físicas (espancamentos e esfaqueamentos), cinco atentados com armas de fogo, cinco casos de violência e coação contra povos indígenas e seis de abusos de autoridade e violência policial. Segundo o governo, as vítimas seriam apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os autores, apoiadores do candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).

Investigações e medidas anunciadas

Os estados com maior número de ocorrências são Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina. Para apurar os fatos, o governo federal anunciou a abertura de inquéritos pela Polícia Federal (PF) para crimes de violência política de gênero, crimes eleitorais e violação de direitos humanos. As denúncias também serão encaminhadas à Procuradoria Geral da República (PGR) e às corregedorias estaduais das Polícias Militares e Civis, além dos Ministérios Públicos estaduais, quando policiais estiverem envolvidos.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges, detalhou que os crimes são de naturezas diversas, incluindo eleitorais, violência política de gênero, racismo, violência comum, homicídios e lesões corporais. A pasta também atuará no combate à violência digital, exigindo que plataformas de redes sociais removam conteúdos que envolvam crimes graves, como violações ao Estado Democrático de Direito e discursos de ódio, sob pena de responsabilidade civil.

Casos de repercussão e antecedentes

Entre os episódios de maior destaque, está o ataque à vereadora de Montes Claros (MG), Iara Pimentel (PT), atingida no rosto durante um ato político. Em Curitiba (PR), Eliseu Pedrozo dos Santos morreu após ser atropelado por um motorista embriagado que avançou contra um bloqueio policial. No Paraná, a pesquisadora Renata Kempf foi detida em uma comemoração pró-Lula, com denúncias de uso excessivo da força policial.

Em Santos (SP), o engenheiro Marcelo de Oliveira da Rocha morreu após ser espancado ao voltar de um ato político. Uma suspeita de envenenamento da água no território Guarani Kaiowá (MS) também foi mencionada, com áudios indicando intenção de "matar essas praga pela água".

O texto também relembra o caso de Ana Clara Gomes Machado, uma menina de cinco anos morta em 2021 por disparos de fuzil em Niterói (RJ). A notícia destaca a atuação do senador Flávio Bolsonaro na defesa do policial militar acusado de efetuar o disparo, o cabo Bruno Dias Delaroli. A defesa de Delaroli, que nega as acusações, recorreu às instâncias superiores para evitar o júri popular, mas os recursos foram rejeitados pelo STJ e STF. A mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, expressou desespero com o silêncio do senador e a demora no julgamento.

O texto aponta um padrão de proteção a policiais acusados de crimes graves por parte de Flávio Bolsonaro, citando homenagens a policiais como Adriano da Nóbrega e sua oposição à CPI dos autos de resistência. A matéria questiona a concepção de Estado que sustenta o projeto político bolsonarista, onde a autoridade recebe mais proteção do que os mecanismos de fiscalização, colocando em risco a democracia.

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