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Governo abre chamamento para bancos oferecerem R$ 90 bi em dívidas para o Desenrola 3.0

21 de outubro de 2026
Governo abre chamamento para bancos oferecerem R$ 90 bi em dívidas para o Desenrola 3.0

Destaques

  • •Instituições financeiras têm cinco dias úteis para apresentar carteiras de dívidas inadimplentes para a terceira fase do programa Desenrola Brasil.
  • •O volume estimado de dívidas a serem oferecidas chega a R$ 90 bilhões, com custo máximo para a União de R$ 9 bilhões, considerando o desconto mínimo de 90%.
  • •O governo pretende priorizar devedores de menor renda e MEIs, e as condições de renegociação para o consumidor serão definidas pelo CMN.

O Ministério da Fazenda iniciou um chamamento público para que bancos, instituições financeiras e fundos de investimento apresentem carteiras de dívidas inadimplentes para a terceira fase do programa Desenrola Brasil. As instituições interessadas têm cinco dias úteis, a partir da publicação do edital no Diário Oficial da União, para manifestar seu interesse e informar o volume de débitos que pretendem oferecer para renegociação. Esta etapa inicial visa medir o interesse dos credores e o volume de dívidas, não sendo ainda uma convocação direta para que os consumidores renegociem seus débitos.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estima que o volume de dívidas antigas a serem apresentadas possa chegar a R$ 90 bilhões. No entanto, o custo máximo para a União na compra dessas dívidas seria de até R$ 9 bilhões, pois o programa exige um desconto mínimo de 90% sobre o valor nominal das carteiras adquiridas. A União pagaria, no máximo, 10% do valor nominal. O governo busca estimular a concorrência entre os credores, o que pode levar a descontos ainda maiores, possivelmente entre 93% e 95%.

Como funcionará o processo de compra de dívidas

O chamamento público é o primeiro passo para a habilitação de bancos e fundos interessados em vender carteiras de crédito à União. Após a manifestação de interesse, os credores deverão apresentar as carteiras de dívidas que atendam aos critérios do programa e aceitar as condições mínimas de desconto. O procedimento será dividido em etapas: chamamento, apresentação das carteiras, definição do leilão e, por fim, a compra das dívidas.

O governo pretende estruturar a disputa para favorecer devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Caso o volume de dívidas de baixa renda seja menor que o previsto, o governo poderá comprar mais dívidas de alta renda. A compra das dívidas pelo governo está prevista para ocorrer por meio de um leilão, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro.

Quais dívidas são elegíveis para o Desenrola 3.0

O Desenrola 3.0, criado por medida provisória em setembro, prevê a compra pela União de carteiras de crédito com dívidas antigas para viabilizar a renegociação com os consumidores. As condições previstas incluem dívidas com valor original de até R$ 10 mil, com atrasos entre 720 e 1.645 dias (aproximadamente dois a quatro anos e meio). Serão elegíveis débitos de cartão de crédito (rotativa e parcelada) e de crédito pessoal sem consignação em folha. Há também a possibilidade de inclusão de dívidas elegíveis de pessoas físicas e MEIs.

No lançamento da iniciativa, o governo estimou que o volume total de dívidas elegíveis poderia chegar a R$ 150 bilhões, com desembolso de R$ 15 bilhões. A previsão atual de R$ 90 bilhões refere-se à expectativa inicial de dívidas que os credores poderão apresentar nesta primeira chamada.

Renegociação para o consumidor

Após a compra das dívidas pelo governo, elas poderão ser renegociadas com os devedores, repassando os descontos obtidos. O consumidor poderá quitar o débito à vista ou parcelar o pagamento, com cobrança de juros no parcelamento. Os prazos, taxas e demais condições operacionais ainda dependem de definições do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da regulamentação aplicável.

Neste momento, os consumidores não precisam procurar os bancos, pois o governo ainda divulgará as regras e procedimentos para acesso às renegociações. O ministro Dario Durigan também destacou que o Desenrola busca oferecer condições para regularização, diferenciando-o de um congelamento de dívidas, que afetaria o fluxo financeiro das instituições credoras.

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