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Google força escolas a adotar IA para manter acesso à busca

04 de novembro de 2026

Destaques

  • •Google muda configuração padrão de suas ferramentas de IA, exigindo que escolas ativem a inteligência artificial para continuar usando o buscador.
  • •A decisão visa pressionar a adoção de IA nas salas de aula, mas gera críticas de educadores e autoridades sobre o uso de monopólio e os impactos no desenvolvimento infantil.
  • •Escolas agora podem escolher ativar ou desativar individualmente cada ferramenta de IA, mas a perda do buscador é o principal ponto de pressão.

O Google anunciou nesta terça-feira (3) que as escolas que utilizam suas ferramentas em sala de aula não poderão mais acessar o mecanismo de busca da empresa a menos que também adotem a inteligência artificial (IA) oferecida pela gigante da tecnologia. A mudança, que deixa de ser a configuração padrão, permite que administradores escolares ativem ou desativem individualmente ferramentas como o chatbot Gemini e o Gemini Notebook. No entanto, como o buscador está integrado à IA, a recusa em usar a tecnologia implica na perda do acesso à busca do Google.

Controle e resistência nas escolas

A decisão do Google surge em meio a crescentes críticas de educadores, especialistas em desenvolvimento infantil e pais sobre o uso de suas tecnologias nas escolas. Desde agosto, a empresa enfrenta resistência após ativar o chatbot Gemini para estudantes da educação básica, uma prática que antes era restrita a maiores de 18 anos. Chris Phillips, vice-presidente e gerente-geral de educação do Google, afirmou em um blog da empresa que a companhia acredita que as escolas devem ter controle sobre o uso da IA e que estão oferecendo ferramentas para gerenciar essa abordagem.

A empresa também informou que está atualizando suas ferramentas de busca para torná-las mais adequadas ao aprendizado, oferecendo orientações passo a passo para a resolução de problemas, em vez de respostas prontas. Contudo, desativar completamente a IA não será uma opção para as escolas que desejam continuar utilizando os produtos do Google.

Críticas e preocupações com monopólio

A medida provocou reações imediatas de educadores e formuladores de políticas públicas. Lina Khan, ex-presidente da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), criticou a ação em redes sociais, acusando o Google de usar seu monopólio nas buscas para coagir as escolas a adotarem IA. Ela alertou para os perigos de uma empresa monopolista sem regulamentação controlar um serviço essencial.

"À medida que cresce a resistência da sociedade ao uso de IA nas escolas, o Google deixa claro que vai punir aqueles que não seguirem suas determinações", acrescentou Khan. Grandes redes de ensino nos Estados Unidos, como Nova York e Los Angeles, já haviam estabelecido proibições temporárias ao uso de IA generativa enquanto avaliam a segurança e desenvolvem políticas de regulamentação.

Impactos no aprendizado e desenvolvimento infantil

Especialistas levantam preocupações sobre os efeitos do acesso à IA no desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes. A tecnologia, embora utilizada por muitos estudantes para tarefas escolares, também facilita práticas de cola e a obtenção de respostas rápidas, o que pode prejudicar o desenvolvimento do pensamento crítico. Josh Golin, diretor-executivo da Fairplay, organização de defesa dos direitos das crianças, sugeriu que as escolas desativem as ferramentas de IA do Google e busquem alternativas de busca que protejam a privacidade e incentivem formas de pesquisa mais aprofundadas.

Golin argumenta que a presença da tecnologia do Google nas escolas visa, principalmente, a criação de uma fidelidade à marca que dure a vida inteira, em vez de focar no aprendizado. Ele recomendou que as instituições aproveitem a oportunidade para ajudar os estudantes a encontrar alternativas de busca que ofereçam maior proteção à privacidade e incentivem formas de pesquisa mais aprofundadas.

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