Golpistas criam sites falsos de pedágio free flow para aplicar golpes

Destaques
- •Criminosos criam páginas que imitam plataformas de pedágio free flow para aplicar golpes.
- •A fraude explora o medo de multas e a desinformação sobre o sistema de cobrança sem cancela.
- •Motoristas são orientados a desconfiar de links de anúncios e a sempre verificar os canais oficiais.
Golpistas estão se aproveitando da implantação do sistema de pedágio free flow no Brasil para aplicar golpes. Eles criam sites falsos que imitam as plataformas oficiais de cobrança e utilizam o medo de receber multas para induzir motoristas a pagar tarifas inexistentes. A fraude pode ter início através de anúncios em buscadores ou redes sociais, culminando com o dinheiro sendo transferido para contas controladas pelos criminosos.
O esquema explora a falta de familiaridade de muitos motoristas com o pedágio sem cancela. Nesses sistemas, pórticos identificam os veículos por placa ou tag. Caso o pagamento automático não ocorra, é necessário que o condutor consulte e quite a tarifa nos canais oficiais. A empresa de cibersegurança Kaspersky informou ter identificado 480 sites fraudulentos relacionados ao free flow desde o início de 2026.
Como funciona o golpe do free flow
Ao pesquisar sobre como pagar o pedágio, o motorista pode ser direcionado por um anúncio a uma página falsa. Este site, muitas vezes, solicita a placa do veículo e apresenta uma pendência fictícia, com um valor que se assemelha ao de uma tarifa real. Para aumentar a credibilidade, a página pode exibir dados corretos do veículo. O pagamento, geralmente via Pix, direciona o dinheiro para contas dos criminosos, que também usam a ameaça de multa para pressionar as vítimas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também emitiu alertas sobre a circulação de boletos falsos enviados por e-mail ou correspondência. A presença de dados corretos do carro na cobrança não é garantia de sua legitimidade.
Prazo de pagamento e multas
O prazo ordinário para pagamento da tarifa de pedágio free flow é de 30 dias após a confirmação do processamento da passagem na base nacional de trânsito. O descumprimento pode resultar em infração grave, com multa de R$ 195,23 e a adição de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
No entanto, até 16 de novembro de 2026, vigora um regime excepcional de regularização, com suspensão de novas autuações e penalidades por inadimplência nas passagens abrangidas. A tarifa, contudo, continua sendo devida. Nas passagens realizadas durante este período de transição, o prazo mais favorável ao motorista será aplicado: o fim do período excepcional ou os 30 dias da regra ordinária. A sistemática normal de cobrança e autuação retorna em 17 de novembro, quando débitos vencidos poderão gerar penalidades.
Onde consultar e pagar dívidas e multas
É importante diferenciar tarifa de pedágio e multa de trânsito, pois os canais de consulta e pagamento são distintos. A tarifa é devida pela passagem, enquanto a multa é uma penalidade. Desde agosto, o aplicativo CNH do Brasil reúne passagens dos sistemas integrados, informando data, concessionária e situação da tarifa, e direciona o usuário ao canal oficial da empresa responsável pelo trecho para o pagamento.
Para tarifas pendentes, o motorista deve procurar o canal oficial da concessionária responsável pela rodovia. Em São Paulo, o sistema Siga Fácil (sigafacil.sp.gov.br) permite consultar a placa e realizar o pagamento via Pix ou cartão. Para multas aplicadas pela ANTT, o Portal de multas da ANTT orienta a consulta e emissão de boleto. Multas de outros órgãos devem ser consultadas no órgão autuador indicado na notificação ou no CNH do Brasil.
Regularizar a tarifa nas condições da transição pode levar ao cancelamento da multa correspondente. Caso a penalidade já tenha sido paga, é possível solicitar revisão e restituição ao órgão autuador.
Como se proteger de cobranças falsas
Para evitar cair no golpe, especialistas recomendam algumas práticas:
- Abra o canal oficial por conta própria, evitando links de anúncios ou de remetentes desconhecidos.
- Confira atentamente o endereço do site e a concessionária responsável antes de informar dados.
- Valide a passagem, data e valor no sistema oficial, pois páginas falsas também podem exibir dados corretos do veículo.
- Desconfie de pressão para pagar rapidamente, verificando a cobrança antes de usar boletos, QR Codes ou chaves Pix recebidos por mensagem.
- Tire dúvidas diretamente com a concessionária ou órgão autuador e guarde todos os comprovantes de pagamento.
Caso já tenha pago a um golpista, especialmente via Pix, procure seu banco imediatamente para relatar o golpe e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), conforme orientação do Banco Central. Registrar um boletim de ocorrência também é recomendado.
Matérias originais
- Golpe do “free flow” usa sites falsos e medo de multa para roubar motoristas · canaltech.com.br



