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Golpes online superam phishing tradicional pela primeira vez em 2026

04 de novembro de 2026
Golpes online superam phishing tradicional pela primeira vez em 2026

Destaques

  • •Golpes online ultrapassaram o phishing tradicional em detecções no primeiro trimestre de 2026.
  • •Ataques utilizam IA e infraestruturas automatizadas para fraudes financeiras e contra consumidores.
  • •A duração dos ataques de phishing caiu pela metade, exigindo respostas de segurança mais rápidas.

Os golpes online superaram o phishing tradicional pela primeira vez no primeiro trimestre de 2026, com as detecções praticamente dobrando de 3,2 milhões para 6,4 milhões. O relatório State of the Internet (SOTI): Fraud and Abuse Report 2026, da Akamai Technologies, indica uma mudança no cenário de ameaças digitais, onde invasores usam inteligência artificial (IA) e infraestruturas automatizadas para burlar a segurança, explorar a confiança em marcas e atacar o ciclo de vida das contas.

Diferentemente do phishing, que busca roubar credenciais, os golpes online focam em fraudes financeiras ou contra consumidores. Exemplos incluem lojas virtuais falsas, golpes de investimento, fraudes de suporte técnico e fraudes em pagamentos. A IA e as identidades sintéticas permitem que criminosos manipulem a lógica de negócios e realizem exfiltração de dados sem que a vítima precise interagir diretamente com o ataque.

Ameaça crescente do phishing

Apesar de ter sido superado pelos golpes online, o phishing tradicional continua sendo uma ameaça dinâmica. O relatório aponta que o phishing tradicional aumentou 61% até o segundo trimestre de 2026. Sua participação no tráfego de ameaças observado quase dobrou entre o primeiro e o segundo trimestre, passando de 8% para 15%, e subindo da sétima para a segunda posição entre as categorias de ameaças.

Criminosos utilizam a identidade de marcas conhecidas para obter acesso inicial e roubar credenciais. A maioria dos domínios maliciosos direcionados a redes corporativas imitava marcas dos setores de alta tecnologia (41,6%), serviços financeiros (18,9%) e comércio (8,4%). Campanhas voltadas ao consumidor focaram em jogos e apostas (33,3%), mídia e entretenimento (18,2%) e viagens e transporte (17,3%).

Velocidade e automação nos ataques

A infraestrutura utilizada nos ataques tem sido modificada em velocidade recorde, tornando as campanhas mais ágeis. A duração média dos ataques de phishing caiu mais de 50%, de 48 dias no quarto trimestre de 2025 para apenas 22 dias no segundo trimestre de 2026. Isso exige que as equipes de segurança enfrentem infraestruturas de ataque em constante mudança.

A IA transformou o phishing em uma corrida operacional por velocidade. Criminosos usam IA para ampliar campanhas em vários idiomas, adaptar táticas e escapar de defesas tradicionais com custos menores. As equipes de segurança precisam automatizar investigações e reduzir processos de dias para menos de uma hora para interromper ataques antes que as vítimas sejam afetadas.

Ciclo de vida das contas e atividade na América Latina

A etapa de login é o momento de maior atividade no ciclo de vida das contas e a principal porta de entrada para bots maliciosos. Em uma amostra de dados de 2026, atividades de login de alto ou crítico risco representaram 26,6% de todas as tentativas registradas. Solicitações de verificação de contas corresponderam a 40% desse tráfego de alto risco, indicando que criminosos validam e-mails antes de ataques em larga escala de preenchimento de credenciais.

Na análise por setor, o comércio concentrou 41,1% das tentativas de login de alto ou crítico risco, seguido por serviços financeiros com 20,8%. Na América Latina, 37,8% das tentativas de login na amostra analisada foram classificadas como de alto ou crítico risco, posicionando a região entre as que possuem as maiores proporções de atividades potencialmente maliciosas.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado em 2025, intitulado "The Evolution of Phishing and Future Directions: A Review", na International Conference on Cyber Warfare and Security, analisou a evolução das ameaças de phishing. A pesquisa destacou que o phishing evoluiu de simples e-mails para ataques sofisticados e direcionados, impulsionados por avanços tecnológicos e a disponibilidade de dados pessoais online.

O artigo enfatiza a integração de tecnologias emergentes como inteligência artificial (IA) e machine learning (ML), o papel das plataformas de phishing-as-a-service (PhaaS), e os desafios apresentados pelo deepfake phishing e a Internet das Coisas (IoT). O estudo também aborda a crescente intersecção entre ataques de phishing e operações cibernéticas patrocinadas por estados, ressaltando a necessidade de mecanismos de defesa adaptativos.

Pesquisa citada

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