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Gestor bilionário aposta em ações brasileiras após eleição de Lula

27 de outubro de 2026
Gestor bilionário aposta em ações brasileiras após eleição de Lula

Destaques

  • •Rajiv Jain, da GQG Partners, vê exagero na reação dos mercados à vitória de Lula e considera ações brasileiras atrativas.
  • •A gestora já lucrou com a Petrobras em 2022, apostando contra o pessimismo do mercado.
  • •Jain acredita que o Brasil oferece oportunidades de longo prazo, apesar das incertezas políticas.

O gestor bilionário Rajiv Jain, cofundador da GQG Partners e maior acionista privada da Petrobras, se prepara para comprar ativos brasileiros em meio ao pânico gerado pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Jain considera exagerada a reação dos mercados à vitória de Lula, argumentando que as empresas brasileiras mantêm valuations atrativos, lucros sólidos e elevados dividend yields. "Se você adotar uma visão de longo prazo, acreditamos que o Brasil seja um dos melhores mercados de ações" entre os emergentes, afirmou Jain, que administra cerca de US$ 150 bilhões.

Os mercados brasileiros sofreram fortes quedas após o resultado eleitoral, com o Ibovespa chegando a recuar 17% e o real registrando a maior desvalorização em mais de duas décadas. A derrocada refletiu o otimismo frustrado com a possibilidade de uma política fiscal mais austera, associada a outros candidatos. A GQG Partners, que enfrenta resgates em seus fundos devido a um desempenho abaixo do mercado em 2023, vê na turbulência uma oportunidade semelhante à de 2022.

Aposta contrária que deu certo

Em 2022, a GQG ampliou seu investimento na Petrobras, tornando-se a maior acionista privada, enquanto outros investidores se desfizeram de suas posições temendo maior interferência política. Essa aposta contrária ao consenso se mostrou lucrativa: a Petrobras acumula retorno superior a 285%, incluindo dividendos, em dólares desde então, superando até gigantes de tecnologia americanas.

Jain citou o primeiro mandato de Lula, no início dos anos 2000, quando as ações brasileiras subiram impulsionadas por um boom de commodities, como exemplo de que receios políticos não impedem bons retornos. "As pessoas sempre têm esse medo, mas os freios e contrapesos ainda funcionam razoavelmente bem", disse, acrescentando que "vender Brasil agora seria um erro".

Brasil na carteira da GQG

Apesar de ter reduzido suas posições no Brasil nos últimos meses para investir em empresas de semicondutores em Taiwan e Coreia do Sul, o Brasil ainda representa a maior aposta de Jain entre os mercados emergentes. No fim de setembro, ações brasileiras compunham 14% do GQG Partners Emerging Markets Equity Fund, de US$ 18 bilhões, superando em quase 10 pontos percentuais o peso no índice de referência.

Jain acredita que a redução do déficit orçamentário brasileiro é crucial para diminuir os custos de financiamento e reanimar a economia. Embora a vitória de Lula renove dúvidas sobre essa perspectiva, ele vê espaço para reformas favoráveis ao mercado. O gestor considera que investidores tendem a exagerar as consequências das mudanças políticas para empresas como a Petrobras, que ele vê como "barata" e com elevado dividend yield. Bancos e empresas de serviços públicos brasileiras também estão entre seus favoritos.

"A política no Brasil nunca é tão boa quanto as pessoas acham nem tão ruim quanto imaginam", concluiu Jain. "A resposta geralmente está em algum lugar no meio".

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