Vida & SaúdeRelevância BR: 2/10

Gênova dedica escadaria às Mães da Praça de Maio

21 de outubro de 2026
Gênova dedica escadaria às Mães da Praça de Maio

Destaques

  • •A cidade italiana de Gênova nomeará uma escadaria em homenagem às Mães da Praça de Maio, grupo que lutou por justiça para desaparecidos durante a ditadura argentina.
  • •A iniciativa visa transmitir aos estudantes a memória da resistência contra a ditadura e o valor da mobilização civil pelos direitos humanos.
  • •A moção foi aprovada pela Câmara Municipal com 26 votos favoráveis, e o Museu Nacional da Emigração Italiana (MEI) exibirá um vídeo sobre os desaparecidos de origem italiana.

A cidade de Gênova, no noroeste da Itália, dedicará uma escadaria às Mães da Praça de Maio, associação de mulheres que lutaram por verdade e justiça para os filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). A moção foi aprovada pela Câmara Municipal e é celebrada pelo Museu Nacional da Emigração Italiana (MEI), situado na cidade.

O texto, apresentado pela presidente da Comissão de Cultura, Donatella Alfonso, e assinado por outros 12 vereadores do Partido Democrático (PD), compromete a prefeita Silvia Salis a dar o nome da associação à escadaria que liga a Via Brignole de Ferrari à Piazzale Emanuele Brignole, perto do polo universitário de Gênova. A iniciativa visa lembrar a coragem das Mães da Praça de Maio na busca pelos filhos desaparecidos e transmitir aos estudantes a memória da resistência contra a ditadura argentina e o valor da mobilização civil pelos direitos humanos.

Aprovacão e Votação

A moção foi aprovada por 26 votos favoráveis, com apoio das legendas Vince Genova e Noi Moderati. O Fratelli d’Italia, partido da primeira-ministra Giorgia Meloni, e o Grupo Misto se abstiveram, enquanto a Liga, partido de Matteo Salvini, esteve presente, mas não participou da votação. A iniciativa faz referência explícita ao trabalho do MEI no 50º aniversário do golpe militar argentino, em especial na preservação das relações com famílias de origem ítalo-argentina atingidas pela repressão.

Memória da Ditadura Argentina

Durante a sessão da Câmara Municipal de Gênova, a vereadora Donatella Alfonso lembrou os 31 mil desaparecidos ao longo dos sete anos da ditadura militar argentina (1976-1983), entre eles 1.600 de origem italiana. “Opositores sequestrados, torturados e mortos em centros clandestinos de detenção, cujos corpos, em sua maioria, foram ocultados, inclusive por meio dos voos da morte, durante os quais os prisioneiros eram lançados ainda vivos no Oceano Atlântico”, destacou a vereadora.

Ela também recordou a trajetória das Mães da Praça de Maio, movimento iniciado em 30 de abril de 1977 por 14 mulheres que exigiam informações sobre seus filhos desaparecidos. “Elas nunca deixaram de denunciar os desaparecimentos, denunciar os assassinatos e procurar, se possível, notícias de seus filhos, procurar seus túmulos e, com o passar dos anos, procurar seus netos, aquelas crianças que haviam sido sequestradas junto com os pais e entregues para adoção”, frisou a vereadora.

Ligação com Gênova e o MEI

Alfonso destacou ainda que Gênova historicamente apoiou e sustentou a luta das Mães da Praça de Maio. “Em 2013, a presidente das Mães, Hebe de Bonafini, também de origem italiana, recebeu o Grifo de Prata nesta cidade. Foram organizados diversas vezes encontros entre as ativistas e estudantes universitários e também das escolas”, frisou. Ela justificou a escolha da escadaria próxima ao polo universitário, “para recordar especialmente aos jovens a necessidade de não esquecer a força dessas mulheres, a força do testemunho, a força da dor e a força de dizer não a esse tipo de violência e a esse tipo de regime”.

O MEI também anunciou que voltará a exibir, nos próximos dias, o vídeo “Figli” (*Filhos*), dedicado aos desaparecidos de origem italiana durante a ditadura argentina, especialmente aqueles com vínculos familiares com Gênova. Produzido a partir de uma pesquisa histórica, o material foi apresentado em março deste ano, durante as atividades organizadas pelo museu para marcar os 50 anos do golpe militar de 1976. Segundo o MEI, o vídeo também será disponibilizado em seu canal no YouTube.

“Recebemos com grande satisfação a aprovação da moção. As histórias dos desaparecidos pertencem à defesa da dignidade humana e dos direitos civis e estão estreitamente ligadas à história da emigração italiana: envolvem famílias que partiram do nosso país e comunidades que mantiveram um vínculo profundo com a Itália e com Gênova”, afirmou Paolo Masini, presidente da Fundação MEI.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Gênova dedica escadaria às Mães da Praça de Maio | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias