Gamificação: como mecânicas de jogos engajam consumidores no Brasil

Destaques
- •A gamificação, que aplica elementos de jogos em atividades não lúdicas, tem ganhado força no Brasil.
- •Programas de fidelidade, apps de exercício e plataformas educacionais usam desafios e recompensas para engajar usuários.
- •Especialistas alertam para o uso ético da estratégia, focando em propósito e jornada do usuário, e não apenas em retenção.
A familiaridade dos brasileiros com o universo dos videogames tem impulsionado a adoção da gamificação, uma estratégia que aplica elementos de jogos em atividades cotidianas para incentivar a participação e o engajamento dos consumidores. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2025, 82% dos brasileiros consomem jogos digitais, um dado que explica a expansão dessa abordagem em diversos setores.
A gamificação utiliza recursos como desafios, níveis, conquistas e recompensas para estimular comportamentos específicos. Em programas de fidelidade, por exemplo, consumidores acumulam pontos e avançam de nível com base em suas compras. Plataformas educacionais podem definir metas diárias e oferecer conquistas para manter os alunos engajados nos estudos. A lógica também se estende a aplicativos de exercícios, serviços financeiros e campanhas publicitárias.
Como a gamificação funciona na prática?
A aplicação da gamificação se baseia em mecânicas que já são parte da experiência dos jogadores. Um levantamento citado pela Gamers Club indica que 34% dos jogadores brasileiros buscam constantemente melhorar seu desempenho e superar desafios. Para Jonathan Pereira, diretor de marketing da empresa, essa mentalidade competitiva e de evolução é um dos pilares da estratégia.
"A lógica da gamificação não surge do nada, ela vem de um comportamento que já está consolidado entre os gamers há anos. Competir, evoluir e receber reconhecimento fazem parte da experiência", afirma Pereira. Ele ressalta que a sensação de progressão e conquista é um forte motor de engajamento, mesmo sem a necessidade de competição direta entre usuários.
Desafios e o uso ético da gamificação
Apesar dos benefícios em engajar usuários, a expansão da gamificação levanta questionamentos sobre o uso de mecanismos que incentivam a permanência constante em plataformas. Isso é particularmente sensível em serviços financeiros ou em experiências que envolvem dinheiro, onde o foco excessivo em recompensas pode levar a comportamentos indesejados.
Pereira alerta para o risco de a gamificação se tornar apenas uma ferramenta de retenção a qualquer custo. "Quando a experiência vira só um estímulo para retenção a qualquer custo, ela perde valor. O que funciona de verdade é quando existe propósito e uma jornada que faça sentido para o usuário", conclui. O desafio é criar experiências relevantes que não transformem toda interação em uma obrigação de competir ou acumular recompensas.
Matérias originais
- Gamificação vai além dos games e transforma a relação entre marcas e consumidores · olhardigital.com.br



