Fusão SpaceX e Tesla pode dar mais poder de voto a Elon Musk

Destaques
- •Uma potencial fusão entre SpaceX e Tesla pode conceder a Elon Musk maior controle acionário e de voto nas empresas.
- •A operação pode alterar as metas de remuneração de Musk, permitindo que ele receba parte de um pacote de ações avaliado em até US$ 1 trilhão sem atingir todos os objetivos operacionais.
- •O mercado acompanhará os desdobramentos das discussões entre os conselhos das empresas e as possíveis reconfigurações de poder e remuneração para Musk.
Uma eventual fusão entre a SpaceX e a Tesla pode conferir a Elon Musk um poder de voto significativamente maior nas duas empresas, sem a necessidade de cumprir todas as metas estabelecidas em seus planos de remuneração. A operação também tem o potencial de alterar as condições para o recebimento de parte de um pacote de ações da Tesla, avaliado em até US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões).
Elon Musk já expressou em teleconferências a busca por maior controle de voto para evitar ser destituído do comando da Tesla. Os conselhos de ambas as companhias teriam criado comitês especiais para analisar a viabilidade de uma fusão.
Como a fusão pode beneficiar Musk
A estrutura de remuneração da Tesla, aprovada em 2025, estabelece metas de valor de mercado e objetivos operacionais, como a circulação de 1 milhão de robotáxis. Até o momento, Musk não cumpriu nenhuma dessas metas. Mesmo que as atinja, sua participação no poder de voto da fabricante de veículos elétricos chegaria a aproximadamente 29%.
Na SpaceX, o modelo de remuneração é diferente. As ações estão vinculadas a metas ambiciosas, como a criação de uma colônia em Marte e a construção de centros de dados espaciais. No entanto, Musk recebeu imediatamente o poder de voto correspondente às suas ações, concentrando 85% dos votos da empresa, embora ainda não tenha direito ao valor econômico delas.
Uma estimativa do Barclays sugere que, em uma aquisição da Tesla pela SpaceX, Musk deteria cerca de 37% do novo conglomerado, mas controlaria 56% dos votos. Essa disparidade se deve ao fato de as ações de classe especial da SpaceX concederem dez vezes mais poder de voto que as ações comuns, uma estrutura não existente na Tesla.
Metas da Tesla podem mudar com a operação
O plano de remuneração da Tesla prevê condições específicas para mudanças de controle, como uma fusão. Nesse cenário, Musk poderia receber ações ao atingir metas de valor de mercado, sem a obrigatoriedade de cumprir os objetivos operacionais. A capitalização atual da Tesla é de cerca de US$ 1,6 trilhão (R$ 8,64 trilhões).
Para liberar a primeira parcela do pacote de remuneração, o valor de mercado da Tesla precisaria alcançar US$ 2 trilhões (R$ 10,8 trilhões) em conexão com a fusão. Nesse patamar, Musk receberia US$ 20 bilhões (R$ 108 bilhões) em ações. O cálculo leva em conta o preço das ações antes da transação ou o valor recebido pelos acionistas, prevalecendo o maior. O montante efetivo pode ser menor, pois considera apenas a valorização posterior ao anúncio em setembro de 2025.
Conselho da SpaceX pode rever o pacote
O plano da SpaceX é menos detalhado sobre os desdobramentos de uma fusão. Quatro de seis especialistas em remuneração executiva consultados pela Reuters indicam que o conselho da SpaceX poderia alterar significativamente as condições do acordo.
O pacote da SpaceX inclui dois conjuntos de metas: um combina objetivos de valor de mercado com a criação de uma colônia em Marte; o outro vincula a valorização da empresa à construção de centros de dados espaciais com capacidade de 100 terawatts anuais. No patamar máximo, as ações poderiam valer US$ 719 bilhões (R$ 3,88 trilhões), segundo a consultoria Equilar.
A questão do poder de voto na Tesla já foi levantada por Musk em outubro de 2025, quando ele expressou preocupação em construir um exército de robôs e, posteriormente, correr o risco de ser afastado do comando da empresa.
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