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Fusão nuclear: tecnologia que imita o Sol avança, mas enfrenta desafios

08 de novembro de 2026
Fusão nuclear: tecnologia que imita o Sol avança, mas enfrenta desafios

Destaques

  • •Pesquisadores buscam na fusão nuclear, processo que ocorre no Sol, uma alternativa mais segura e limpa para a geração de energia elétrica.
  • •A tecnologia promete reduzir resíduos radioativos em comparação com a fissão nuclear, mas esbarra em desafios como a necessidade de atingir temperaturas de 150 milhões de graus Celsius.
  • •O projeto internacional Iter, em construção na França, é um dos principais esforços para viabilizar a fusão nuclear comercialmente.

A busca por fontes de energia mais limpas e seguras tem direcionado pesquisas para a fusão nuclear, um processo que imita as reações que ocorrem no núcleo do Sol. A tecnologia promete gerar eletricidade com menor produção de resíduos radioativos em comparação com as usinas nucleares convencionais, que utilizam a fissão nuclear. No entanto, a viabilidade comercial da fusão nuclear ainda enfrenta obstáculos técnicos significativos.

Diferentemente da fissão nuclear, que divide núcleos atômicos pesados, a fusão nuclear combina núcleos leves, como deutério e trítio, liberando uma grande quantidade de energia. Segundo Gustavo Canal, professor do Instituto de Física da USP, o processo gera hélio e nêutrons, sendo que estes últimos concentram cerca de 80% da energia liberada.

Desafios para atingir o plasma

Um dos principais entraves para a exploração comercial da fusão nuclear é a necessidade de atingir temperaturas extremas, próximas a 150 milhões de graus Celsius. Nessas condições, o combustível se transforma em plasma, estado da matéria essencial para que as reações de fusão ocorram. O aquecimento e o confinamento desse plasma exigem tecnologias complexas e um alto consumo de energia.

O professor Thiago Mastrangelo, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, destaca que a fusão nuclear apresenta um potencial de segurança superior à fissão, pois não carrega o mesmo risco de acidentes catastróficos associados ao derretimento do combustível. Contudo, a tecnologia não está isenta de riscos.

Avanços e aplicações futuras

As altas temperaturas e a emissão de nêutrons nas reações de fusão podem afetar os materiais dos reatores e gerar resíduos radioativos, embora em menor quantidade e com menor tempo de decaimento comparado à fissão. A pesquisa, no entanto, avança em projetos internacionais de grande porte.

Um dos exemplos mais notáveis é o Iter (Reator Termonuclear Experimental Internacional), em construção na França. O projeto tem como objetivo demonstrar a viabilidade científica e tecnológica da fusão nuclear em escala, com o reator projetado para produzir 10 vezes mais potência de fusão do que a energia utilizada para aquecer o plasma.

Além da geração de eletricidade, a fusão nuclear vislumbra outras aplicações importantes. Segundo Mastrangelo, a tecnologia pode ser utilizada na produção de hidrogênio, na dessalinização da água e na fabricação de radioisótopos essenciais para a medicina.

Apesar do promissor potencial para expandir a oferta de energia global, a fusão nuclear ainda se encontra em fase de desenvolvimento. A sua concretização como fonte comercial de energia dependerá de contínuos avanços técnicos e da superação dos desafios inerentes à manipulação de condições extremas.

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