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Fundos imobiliários pagam dividendos acima do CDI, mas maioria tem cota em queda

07 de novembro de 2026
Fundos imobiliários pagam dividendos acima do CDI, mas maioria tem cota em queda

Destaques

  • •Cerca de 30 fundos imobiliários do Ifix distribuíram dividendos com rendimento (dividend yield) superior à taxa Selic de 13,75% ao ano.
  • •Apesar dos altos dividendos, a maioria dos fundos do índice teve desvalorização de suas cotas nos últimos 12 meses, com alguns casos de quedas superiores a 30%.
  • •A performance futura dos fundos de papel, que se beneficiam de juros altos, dependerá da qualidade dos devedores e da manutenção das distribuições.

Apesar da taxa Selic mantida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), 30 fundos imobiliários listados no Ifix apresentaram dividendos superiores ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que acompanha de perto a taxa básica de juros, com 13,65% ao ano. O levantamento, realizado pelo InfoMoney com dados da Economatica, considerou 97 fundos do índice e calculou o dividend yield (DY) com base nos rendimentos distribuídos nos últimos 12 meses sobre o valor da cota há um ano.

A análise indica que, embora os rendimentos mensais tenham garantido retorno positivo para a maioria dos fundos, a cota de quase todos eles sofreu desvalorização no mesmo período. O índice Ifix como um todo registrou queda em 94 dos 97 fundos, movimento que se intensificou após as eleições presidenciais. No primeiro pregão após o segundo turno, o índice recuou 5,68%, marcando uma das piores sessões de sua história.

Fundos com retornos totais positivos apesar da queda das cotas

Mesmo com a desvalorização geral, 19 dos 30 fundos que pagaram dividendos acima do CDI fecharam o período com retorno total positivo, quando os rendimentos são somados à variação da cota. O fundo PORD11 liderou essa lista, com retorno total de 16,8%, seguido pelo BPML11, com 14,7%, e pelo SNCI11, com 14%.

A maior parte dos fundos que apresentaram altos dividend yields são classificados como fundos de papel. Estes fundos investem em recebíveis imobiliários, como títulos de dívida lastreados em imóveis, e tendem a se beneficiar de cenários de juros elevados. Otmar Schneider, analista da Nord Investimentos, comentou que, se os juros permanecerem altos por mais tempo, como o mercado tem precificado, fundos imobiliários indexados ao CDI+ devem apresentar melhor performance.

Quedas acentuadas em algumas cotas de fundos imobiliários

Apesar do cenário de juros altos favorecer os fundos de papel, alguns fundos registraram quedas expressivas em suas cotas, superando o movimento geral do mercado. O fundo Hectare CE (HCTR11) teve a maior desvalorização, com a cota perdendo 47,5% em 12 meses. Outros fundos com quedas significativas incluem o Devant Recebíveis Imobiliários (DEVA11), com 38,8% de desvalorização, e o Tellus Rio Bravo Renda Logística (TRBL11), com 28,9%. Mesmo com os rendimentos distribuídos, esses fundos acumularam retornos totais negativos.

Marcos Baroni, head de fundos imobiliários da Suno, explicou que o dividend yield calculado sobre a cota de um ano atrás pode mascarar o rendimento real para quem compra hoje, já que a maioria das cotas está mais barata. Ele associa a queda recente à alta dos juros futuros, mas diferencia essa desvalorização de uma deterioração nos fundamentos dos fundos.

Risco e qualidade dos devedores em fundos de papel

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ressaltou que, nos fundos de papel, a segurança dos rendimentos está diretamente ligada à qualidade dos devedores. Ela explicou que juros altos podem ser vantajosos para quem recebe, mas prejudiciais para quem deve. Por isso, aconselha o investidor a analisar ambos os lados antes de comemorar os dividendos recebidos.

A projeção de que os fundos mantenham o nível de distribuição de dividendos não é garantida, e a performance futura dependerá da evolução da taxa de juros e da saúde financeira dos devedores dos recebíveis imobiliários.

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