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Fóssil de Nanotyrannus é vendido por US$ 47,3 milhões em leilão

30 de outubro de 2026
Fóssil de Nanotyrannus é vendido por US$ 47,3 milhões em leilão

Destaques

  • •Esqueleto de Nanotyrannus, um parente menor do T. rex, arrematado por valor recorde em leilão da Sotheby's.
  • •A venda de fósseis para colecionadores particulares gera críticas da comunidade científica, que defende a preservação em museus.
  • •O destino do fóssil 'Jodi', vendido por mais de US$ 47 milhões, ainda é desconhecido.

Um esqueleto de Nanotyrannus, um dinossauro carnívoro e bípede parente do Tyrannosaurus rex, foi vendido por US$ 47,3 milhões em um leilão da Sotheby's, em Nova York. O fóssil, apelidado de "Jodi" em homenagem à proprietária da terra onde foi encontrado, o estado de Montana, nos Estados Unidos, superou em muito a estimativa inicial da casa de leilões, que previa um valor entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões.

O Nanotyrannus habitou a Terra há cerca de 67 milhões de anos, no final do período Cretáceo. Embora menor que o T. rex, compartilha características como a alimentação carnívora e a locomoção sobre duas patas. Por um tempo, acreditou-se que o Nanotyrannus fosse apenas um jovem T. rex, mas estudos apontam mais de 150 diferenças morfológicas entre as espécies, além de o Nanotyrannus ser mais veloz e ágil.

Descoberta e características do "Jodi"

O fóssil foi encontrado em 2019 por Jodi Pierson em sua propriedade em Montana. Paleontólogos escavaram 191 ossos, formando um esqueleto com mais de 5 metros de comprimento e quase 3 metros de altura, com um crânio praticamente completo. Acredita-se que o indivíduo encontrado fosse adulto, apesar de sua denominação popular de "mini-tiranossauro".

A Formação Hell Creek, onde o fóssil foi descoberto, é uma região rica em rochas fossilíferas e conhecida por importantes achados paleontológicos. Próximo dali, foi encontrado o sítio Dueling Dinosaurs, com esqueletos de um Nanotyrannus e um Triceratops em uma posição que sugere um confronto.

Críticas à venda de fósseis

A venda de peças paleontológicas em leilões privados, especialmente de espécies raras como o Nanotyrannus, tem gerado críticas por parte da comunidade científica. O principal argumento é que tais espécimes possuem um valor científico imenso e deveriam ser preservados e estudados em museus, ficando acessíveis ao público e à comunidade acadêmica.

Quando fósseis são adquiridos por colecionadores particulares, eles podem ficar inacessíveis por longos períodos. As leis dos Estados Unidos permitem que proprietários de terras tenham direito sobre os fósseis encontrados em suas propriedades, o que viabilizou a venda do esqueleto "Jodi" em leilão privado.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Fossil Studies em 2023, intitulado "Taxonomic status of Nanotyrannus lancensis (Dinosauria: Tyrannosauroidea) — a distinct taxon of small-bodied tyrannosaur", revisa múltiplas linhas de evidências e conclui que há forte suporte para o reconhecimento do Nanotyrannus lancensis como uma espécie distinta. O estudo aponta que a alta diversidade de tiranossauros no final do Cretáceo é consistente com a existência de mais de uma espécie na América do Norte.

A pesquisa destaca que o Nanotyrannus apresenta pelo menos 77 caracteres morfológicos que o diferenciam do T. rex, sem formas intermediárias conhecidas. Evidências histológicas também sugerem que os indivíduos analisados apresentavam fusões esqueléticas e texturas ósseas consistentes com a maturidade, além de taxas de crescimento mais lentas em comparação com o T. rex.

O destino do fóssil "Jodi" ainda não foi divulgado pelo comprador, que permaneceu anônimo.

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