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Fóssil de anfíbio marinho descoberto na China revoluciona estudo evolutivo

29 de outubro de 2026
Fóssil de anfíbio marinho descoberto na China revoluciona estudo evolutivo

Destaques

  • •Dois esqueletos fossilizados encontrados na China indicam a existência de um anfíbio marinho há 237 milhões de anos.
  • •A descoberta do Gerrothorax maritimus força cientistas a repensar a adaptação dos anfíbios à vida em diferentes ambientes.
  • •Análise de isótopos nos ossos sugere que o animal cresceu bebendo água do mar, confirmando seu habitat marinho.

Uma descoberta na China pode mudar o entendimento sobre a evolução dos anfíbios. Dois esqueletos fossilizados encontrados na província de Guizhou sugerem que uma espécie de anfíbio, batizada de Gerrothorax maritimus, habitava as águas salgadas pré-históricas há cerca de 237 milhões de anos. O animal tinha aproximadamente 74 centímetros de comprimento e possuía um corpo achatado e coberto por escamas duras, semelhantes a uma armadura.

A descoberta é considerada potencialmente revolucionária por especialistas. "Se esse anfíbio do período Triássico era realmente totalmente marinho, então isso muda tudo", afirmou Steve Brusatte, paleontólogo que não participou do estudo, à revista Nature. A existência de um anfíbio marinho obriga os cientistas a repensar como os anfíbios modernos se adaptaram à vida em terra e em água doce.

A adaptação dos anfíbios à água salgada

Atualmente, apenas 2% das mais de oito mil espécies de anfíbios conhecidas apresentam tolerância ao sal do mar. Diferente dos peixes marinhos, que possuem glândulas para eliminar o excesso de sal, a maioria dos anfíbios não consegue regular a quantidade de sal absorvida. Isso se deve à sua pele fina e permeável, que permite a respiração e absorção de água doce, mas causa desidratação rápida em contato com água salgada.

"Quando um sapo nada em água salgada, ele perde a água de seu corpo, pois a água do mar a extrai através de sua pele permeável, por meio da pressão osmótica", explicou Ryosuke Motani, autor do estudo, à Reuters. "Ele também não consegue beber água, pelo mesmo motivo. Como resultado, perde peso corporal e precisa descansar em água doce para se recuperar." Essa característica impede que os anfíbios se tornem totalmente marinhos.

A "armadura" como chave evolutiva

No caso do Gerrothorax maritimus, a capacidade de viver em águas salgadas parece ter sido possibilitada por suas couraças ósseas. Essas estruturas protetoras, formadas por placas de osso, não só protegiam o animal de predadores em ambientes de água doce, mas também passaram a servir para a água do mar quando a linhagem começou a habitar partes mais salinas.

Acredita-se que a couraça tenha impedido a absorção de água salgada pela pele. Isso forçou o animal a ingerir a água do mar pela boca e, em seguida, filtrar o sal por meio de suas brânquias. Segundo Motani, esse fenômeno é um exemplo de exaptação, onde uma característica biológica passa a desempenhar uma função diferente de sua origem.

Evidências e próximos passos

A análise anatômica sugere que o parente mais próximo do Gerrothorax maritimus é o Gerrothorax pulcherrimus, um anfíbio extinto que também viveu no período Triássico, mas habitava apenas água doce. A descoberta do parente marinho levou os pesquisadores a concluir que o estilo de vida marinho do Gerrothorax maritimus foi um acaso evolutivo.

Embora tenha surgido a possibilidade de os esqueletos terem sido levados para o mar após a morte, os pesquisadores acreditam que o anfíbio era de fato marinho. Seus ossos foram encontrados distantes de qualquer massa terrestre existente na época, o que sugere que não foram levados pela correnteza. Além disso, a análise de isótopos nos ossos do animal coincidiu com os da água do mar do Triássico, indicando que as criaturas "cresceram bebendo água do mar", conforme publicado no estudo na revista Nature Ecology & Evolution.

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