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Fones com cancelamento de ruído podem proteger a audição, diz especialista

25 de outubro de 2026
Fones com cancelamento de ruído podem proteger a audição, diz especialista

Destaques

  • •Tecnologia de cancelamento ativo de ruído (ANC) pode reduzir a necessidade de volumes altos, protegendo a audição.
  • •Especialistas alertam que o principal risco auditivo ainda é a intensidade e a duração da exposição sonora, não o ANC em si.
  • •Recomenda-se manter o volume entre 30% e 50% e fazer pausas regulares para preservar a saúde auditiva.

Fones de ouvido com cancelamento ativo de ruído (ANC) podem, na verdade, ajudar a proteger a audição, segundo especialistas. A tecnologia, que utiliza microfones para captar e neutralizar sons externos através de interferência destrutiva, permite que os usuários escutem músicas, podcasts e chamadas em volumes mais baixos, mesmo em ambientes barulhentos. O principal fator de risco para a perda auditiva continua sendo a intensidade do som e o tempo de exposição prolongado.

Como funciona o cancelamento de ruído?

O ANC funciona captando ruídos ambientais e gerando ondas sonoras opostas para atenuá-los. Essa tecnologia é mais eficaz contra sons contínuos e de baixa frequência, como motores e ventiladores. É importante diferenciar o ANC do isolamento passivo, que depende da barreira física das almofadas ou ponteiras dos fones. Muitos dispositivos combinam ambos os recursos para uma maior redução de ruído.

O cancelamento ativo de ruído não elimina todos os sons, especialmente os repentinos ou vozes. A eficiência varia conforme o ambiente e o tipo de som. Por isso, não se deve aumentar o volume indiscriminadamente quando algum ruído externo ainda é perceptível.

ANC: proteção ou risco para a audição?

Contrariando a preocupação de que o ANC possa prejudicar a audição, o médico otorrinolaringologista Alexandre Camilotti Gasperin, professor da PUCPR, afirma que a tecnologia pode até contribuir para a proteção auditiva. Ao reduzir a interferência do ruído externo, o ANC diminui a necessidade de aumentar o volume para ouvir o conteúdo desejado. Isso é crucial, pois a intensidade sonora é o maior vilão para a saúde dos ouvidos.

No entanto, o benefício depende do uso. Se o usuário aproveitar o cancelamento para ouvir em volumes muito altos por longos períodos, o risco de lesões auditivas permanece. O ANC pode dar uma falsa sensação de segurança, levando à percepção de que o volume está baixo quando, na verdade, pode estar excessivo para o sistema auditivo.

Recomendações para um uso seguro

A exposição a sons acima de 85 decibéis (dB) pode causar danos auditivos, especialmente com exposição prolongada ou frequente. O especialista recomenda manter o volume dos fones entre 30% e 50% da capacidade máxima do equipamento. Essa faixa é uma orientação prática, pois a intensidade real em decibéis varia.

O tempo de uso também é um fator crítico. Recomendações como a regra 30-30 (30 minutos de uso seguidos de 30 minutos de descanso) ou 40-20 (40 minutos de uso e 20 de pausa) servem como referências de cautela. O uso contínuo por mais de 60 minutos, especialmente de forma repetida e diária, tem um potencial alto de causar lesões.

Sinais de alerta para possíveis danos auditivos incluem zumbido, sensibilidade a sons, dificuldade para entender conversas, sensação de ouvido abafado e cansaço auditivo. Lesões auditivas são irreversíveis, portanto, ao notar esses sintomas, é fundamental interromper a exposição sonora e procurar avaliação médica.

A conexão Bluetooth, por sua vez, não apresenta riscos comprovados à audição. As evidências científicas disponíveis não associam a radiofrequência de fones Bluetooth a danos auditivos; o risco principal continua sendo o volume excessivo.

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