Físicos desenvolvem método preciso para calcular o efeito Kondo

Destaques
- •Pesquisadores criaram uma nova abordagem para calcular o efeito Kondo, um fenômeno quântico complexo.
- •O método, baseado em princípios fundamentais, pode ser até 100 vezes mais preciso que modelos anteriores.
- •A descoberta abre caminho para a investigação de materiais avançados como supercondutores de alta temperatura.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e da Universidade Yale, nos Estados Unidos, desenvolveram um método inovador capaz de calcular com alta precisão o efeito Kondo, um fenômeno da física quântica que altera a resistência elétrica de metais com impurezas magnéticas. A nova abordagem permite prever propriedades de materiais reais por meio de cálculos fundamentais, sem depender inicialmente de resultados experimentais, representando um avanço significativo na compreensão de materiais com comportamentos eletrônicos complexos.
Publicado na revista Science, o estudo demonstra que a técnica pode ser até 100 vezes mais precisa do que métodos simplificados utilizados anteriormente. Essa precisão aprimorada abre caminho para a investigação de materiais mais complexos, como supercondutores de alta temperatura e materiais magnéticos quânticos, que possuem propriedades eletrônicas difíceis de prever.
O que é o efeito Kondo?
Em condições normais, a resistência elétrica de metais diminui com o resfriamento. Contudo, a presença de pequenas impurezas magnéticas pode reverter esse comportamento. Abaixo de uma temperatura específica, conhecida como temperatura Kondo, a resistência elétrica volta a aumentar. Esse fenômeno ocorre devido à interação entre os elétrons do metal e os associados às impurezas magnéticas, que neutralizam o magnetismo dos átomos e dificultam o fluxo da corrente elétrica.
Prever o comportamento exato do efeito Kondo sempre foi um desafio devido à interação complexa entre temperatura, magnetismo e propriedades dos elétrons em escalas microscópicas, um problema quântico conhecido como problema de muitos corpos. Até então, cientistas dependiam de experimentos e modelos simplificados, que apresentavam limitações na precisão para diferentes combinações de metais e impurezas.
Como os cientistas resolveram o problema?
A equipe adotou uma abordagem ab initio, que utiliza as leis fundamentais da física quântica para calcular as propriedades de um material desde seus princípios básicos, em vez de depender apenas de aproximações. Para isso, combinaram técnicas da química para representar um único átomo magnético com maior detalhe matemático, tratando-o como uma molécula maior.
Realizaram cálculos repetidos para refinar as previsões sobre as interações eletrônicas, o que exigiu grande capacidade computacional e estratégias matemáticas avançadas. Ao comparar os resultados com medições experimentais, os cientistas confirmaram que o método reproduzia o comportamento dos materiais com elevada precisão, superando em até 100 vezes a exatidão de modelos simplificados.
Por que a descoberta é importante?
Os primeiros testes foram realizados com combinações relativamente simples de metais e impurezas magnéticas, servindo como ponto de partida para o estudo de sistemas mais complexos. A capacidade de prever propriedades de materiais antes da realização de experimentos pode tornar a pesquisa de novos materiais mais direcionada e eficiente.
Entre os alvos de estudo estão os supercondutores de alta temperatura, materiais que conduzem eletricidade sem resistência em certas condições e que são de grande interesse para aplicações em redes elétricas e computação. A nova técnica de cálculo pode auxiliar na compreensão e desenvolvimento desses e de outros materiais com comportamentos eletrônicos complexos e propriedades quânticas.
Matérias originais
- Cientistas conseguem prever efeito quântico com precisão inédita · olhardigital.com.br



