Filósofo Edgar Morin viveu intensamente até os 104 anos com curiosidade e afeto

Destaques
- •Filósofo Edgar Morin, aos 100 anos, mantinha a paixão pela vida através da curiosidade, amizade e projetos.
- •Morin acreditava que o tempo restante na velhice deve ser aproveitado com novas experiências e relações, em vez de focar na morte.
- •O pensador francês faleceu aos 104 anos, deixando um legado de pensamento sobre a complexidade humana e a importância de se manter ativo.
O filósofo francês Edgar Morin, que faleceu em 2026 aos 104 anos, demonstrou que a curiosidade e o afeto podem ser motores para uma vida plena, mesmo na velhice. Aos 100 anos, ele compartilhava que a paixão por projetos, objetivos e pela contemplação do mundo, aliada à existência de dúvidas, ambição e vínculos afetivos, eram seus principais motivadores diários.
Nascido em 1921, Morin participou da Resistência Francesa e se tornou um dos pensadores mais influentes do século XX, integrando conceitos de sociologia, filosofia, política, antropologia e ciências naturais. Sua obra "O Método" explora o pensamento da complexidade e da conexão humana. Uma infância marcada pela perda precoce da mãe e a descoberta tardia da verdade sobre sua morte o levaram a uma profunda reflexão sobre a tragédia e a necessidade de amor e fraternidade na existência humana.
A relação com a vida e a morte
Em entrevista ao Le Monde em 2022, Morin resumiu sua perspectiva: "Enquanto eu for impulsionado pelas forças da curiosidade, do interesse, da amizade e do amor, não penso na morte". Ele não negava a finitude do tempo na velhice, mas propunha que o período restante fosse utilizado para desfrutar de tudo que ainda pudesse estimular, como relações pessoais, questionamentos e a realização de projetos.
Essa abordagem visa não impedir o envelhecimento, mas aceitá-lo e evitar a sensação de que não há mais nada a ser aproveitado. A curiosidade, segundo ele, abre portas para temas pouco compreendidos e mantém o interesse pelo cotidiano e pelas relações humanas, enquanto a amizade preserva o diálogo, a memória e os vínculos afetivos.
Projetos e atividades para uma vida ativa
Aos 100 anos, Morin admitia pensar no desaparecimento do "eu", mas afastava esses pensamentos através de "experiências místicas", como apreciar música, paisagens, pessoas ou a natureza. Mesmo ciente do avanço da idade, ele mantinha projetos ativos, vendo o futuro e o presente se misturarem em uma rede de possibilidades.
Em sua rotina, ele indicava pequenos tópicos para evitar o marasmo social, respeitando os próprios limites: aprender algo novo, cultivar amizades, criar pequenos projetos e desenvolver novos interesses em rotinas antigas. Ao não tratar o tempo de vida restante apenas como contagem regressiva, Morin ensinou que estar vivo significava continuar disponível para surpresas, mesmo quando o passado já ocupa mais espaço que o futuro.



