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Fed mantém juros nos EUA e mercado volta atenção para dezembro

28 de outubro de 2026
Fed mantém juros nos EUA e mercado volta atenção para dezembro

Destaques

  • •Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dos EUA decide manter a taxa de juros entre 3,75% e 4% ao ano.
  • •Expectativa de alta de 0,25 ponto porcentual em dezembro persiste, com inflação e mercado de trabalho como fatores chave.
  • •No Brasil, a taxa Selic deve permanecer em 13,75% devido à pressão inflacionária e desvalorização cambial.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros inalterada, em um intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, ocorre em um cenário de inflação ao consumidor acima do previsto em setembro, mas com um relatório de empregos (payroll) mais fraco que o esperado. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava uma probabilidade de 90,6% de manutenção da taxa na véspera da decisão.

Declarações recentes de dirigentes do Federal Reserve (Fed) reforçaram a perspectiva de uma abordagem mais cautelosa em relação a novos aumentos. A moderação no discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em eventos recentes, também contribuiu para reduzir as expectativas de uma alta imediata, embora alguns membros, como Beth M. Hammack (Fed de Cleveland), Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) e Lorie K. Logan (Fed de Dallas), possam ter votado a favor de um aumento.

Próximos passos e riscos inflacionários

Apesar da pausa em outubro, a expectativa majoritária entre economistas de bancos como C6 Bank, BofA, ING, Stifel e Goldman Sachs é de uma nova alta de 0,25 ponto porcentual nos juros em dezembro. Fatores como a inflação ainda elevada e a resiliência do mercado de trabalho americano sustentam essa projeção. No entanto, o crescimento robusto da economia dos EUA, impulsionado em parte pela inteligência artificial, é visto como um risco inflacionário que pode exigir mais apertos monetários.

A decisão de manter os juros em outubro pode ter sido influenciada pela proximidade das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro. Economistas do Bank of America (BofA) sugerem que o Fed pode ter evitado uma surpresa "hawkish" (tendência a juros mais altos) para não desestabilizar os mercados poucos dias antes da votação.

Divergências e o comunicado pós-decisão

A decisão de outubro não deve ter sido unânime, segundo analistas do ING e Rabobank. Espera-se que alguns membros tenham votado a favor de um aumento. O Resumo de Projeções Econômicas do Fed indicou que quatro membros projetavam aumentos de 0,50 ponto porcentual nas taxas até o final do ano.

O comunicado pós-decisão e a entrevista do presidente Warsh devem ser breves, com pouca orientação futura. O Goldman Sachs sugere que o Fomc pode adaptar a linguagem sobre futuros ajustes, indicando que dependerão de dados, perspectivas e riscos. Na semana seguinte à decisão, o Fed receberá dados importantes sobre inflação (PCE) e o PIB do terceiro trimestre.

Impacto no Brasil e a Selic

No Brasil, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a consequente alta do dólar podem levar o Banco Central (BC) a adotar uma postura mais cautelosa em relação à taxa Selic. A desvalorização do real pressiona a inflação, o que pode levar o Comitê de Política Monetária (Copom) a interromper o ciclo de cortes da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano.

Economistas como Samuel Pessoa, da FGV Ibre, e Milena Landgraf, da Jubarte Capital, avaliam que o Copom deve manter a Selic em 13,75% nas próximas reuniões. A piora na dinâmica da inflação e a desvalorização cambial eliminam o espaço para quedas até o final do ano. A trajetória futura dos juros no Brasil dependerá dos sinais do governo sobre ajuste fiscal e contenção da dívida pública, além de possíveis efeitos de políticas como a reforma tributária.

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