Fãs do BTS relatam atraso ao cantar músicas em show no Morumbi

Destaques
- •Fãs do BTS notaram que o público da arquibancada cantava as músicas com atraso em relação a quem estava na pista durante show no Morumbi.
- •Especialistas explicam que o fenômeno é resultado da velocidade do som (340 m/s) e da acústica do estádio, fazendo com que o som chegue mais tarde a distâncias maiores do palco.
- •O atraso pode variar de 0,1 a 0,3 segundo, dependendo da distância do palco, e se torna perceptível quando o som do público cantando em uníssono chega aos ouvidos de quem está mais perto.
Os sete astros do k-pop BTS voltaram ao Brasil em grande estilo, realizando nesta quarta-feira (28) o primeiro de três shows programados no país, no Estádio do Morumbi. No entanto, além da empolgação, fãs nas redes sociais relataram um fenômeno curioso: quem estava na pista notou que o público da arquibancada parecia cantar as músicas com um nítido atraso em relação àqueles mais próximos do palco.
O ocorrido foi evidenciado em um vídeo publicado no X (antigo Twitter) por um usuário identificado como “bibis”, que mostrava o atraso na sincronia do canto. A discrepância chamou a atenção e gerou discussões sobre suas causas.
A física por trás do atraso sonoro
Especialistas consultados pelo Canaltech explicaram que o fenômeno é uma combinação da acústica do local e da velocidade de propagação do som no ar, que é de aproximadamente 340 metros por segundo. Fatores como temperatura, umidade e vento podem influenciar, mas a distância é o principal fator.
Segundo o Prof. Dr. Herbert Alexandre João, físico da USP, o som chega primeiro a quem está mais perto do palco. “Entre as caixas de som presas ao palco e a arquibancada, a distância pode ser superior a 50, 70 m”, observou.
Nossa audição é capaz de distinguir sons com uma diferença temporal de apenas 0,1 segundo. Quando essa diferença se soma ao tempo que o som leva para percorrer a distância, o atraso se torna perceptível.
Distância e percepção do som
O Prof. Dr. Herbert Alexandre João detalhou que pessoas a até 34 metros do palco ouvem o som de maneira similar. Contudo, a partir dessa distância, um atraso de 0,1 segundo já pode ocorrer. Para uma pessoa no meio da arquibancada, a 68 metros do palco, o som levaria cerca de 0,2 segundos para chegar.
“Quando o som chega, imediatamente ela canta junto, né? É aquela emoção do show, e esse som de toda essa galera cantando junto tem um volume intenso o suficiente para chegar até o pessoal que está lá na frente do palco e não ser abafado pelas caixas de som”, explicou o professor.
Essa dinâmica faz com que o atraso seja mais perceptível para quem está mais longe dos equipamentos de som. No caso de um show em estádio, quem está na extremidade pode ouvir a música com um atraso de até 0,3 segundo, cantando junto enquanto o público mais próximo já o fez.
O som no cotidiano
O Prof. Dr. Rodolfo Langhi, da Unesp, ressaltou que o som não é instantâneo e leva tempo para se propagar. Ele usou o exemplo dos trovões, cujo som chega após a luz do relâmpago, para ilustrar como a velocidade do som faz parte do cotidiano.
“Se levou 10 segundos para chegar o barulho do trovão, significa que esse raio aconteceu a 3 km de distância”, finalizou o professor, demonstrando a aplicação da física em fenômenos comuns.



