Fármacos para emagrecimento mudam relação com a comida e impulsionam agro brasileiro

Destaques
- •Medicamentos como Ozempic e Mounjaro alteram o comportamento alimentar, reduzindo o consumo de carboidratos e aumentando a demanda por proteínas.
- •O Brasil, maior exportador mundial de proteínas, tem a oportunidade de capitalizar essa nova tendência global de saúde e nutrição.
- •A concorrência e a chegada de genéricos prometem tornar os tratamentos mais acessíveis, ampliando o impacto no mercado.
Uma nova onda disruptiva está transformando a relação humana com a comida, impulsionada pelo avanço de medicamentos agonistas de GLP-1, como a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro). Esses fármacos, que imitam um hormônio intestinal, estimulam a liberação de insulina, retardam o esvaziamento gástrico e promovem saciedade, alterando o comportamento alimentar. Essa mudança representa um salto do conceito de "food as pharma" (alimento como parte da saúde) para "pharma as a modifier of food behavior" (fármacos que modificam o comportamento alimentar).
A revolução dos agonistas de GLP-1
Os agonistas de GLP-1, inicialmente desenvolvidos para diabetes, ganharam destaque por sua capacidade de promover perda de peso e trazer benefícios metabólicos e cardiovasculares. A semaglutida e a tirzepatida lideram essa nova classe de medicamentos. A tirzepatida, por exemplo, foi o medicamento mais vendido do mundo em 2025, com vendas estimadas em US$ 36,5 bilhões.
Nos Estados Unidos, a rápida expansão desses medicamentos coincide com uma aparente reversão na tendência de crescimento da obesidade. Pesquisas indicam uma queda na taxa de obesidade adulta, com um número crescente de adultos utilizando esses produtos para emagrecer.
Impacto no consumo e na indústria
Os efeitos desses medicamentos já são visíveis nos hábitos de consumo. Estudos apontam uma redução nos gastos com supermercado por lares com usuários de GLP-1, com quedas significativas no consumo de salgadinhos, doces, biscoitos e álcool. Restaurantes e redes de alimentação já se adaptam, oferecendo porções menores.
Paralelamente, a demanda por proteínas animais tem crescido, com consumidores brasileiros afirmando ter aumentado seu consumo. A necessidade de preservar a massa muscular durante o emagrecimento impulsiona o consumo de carnes magras, ovos, iogurtes e whey protein. Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e de frango, essa tendência representa uma oportunidade de expandir mercados e agregar valor aos seus produtos.
Acessibilidade e futuro
Apesar dos custos elevados dos tratamentos de referência, que podem ultrapassar R$ 1.000 mensais, a tendência é de maior acessibilidade. A expiração de patentes e a aprovação de genéricos e similares, como a semaglutida nacional lançada no Brasil por cerca de R$ 450, indicam uma futura redução de preços. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, mesmo assim, menos de 10% de quem precisa terá acesso até 2030.
A combinação desses fármacos com dietas equilibradas e atividade física representa uma revolução inédita na saúde humana. O agronegócio brasileiro, que já soube atender à demanda global por proteínas, tem agora a chance de se posicionar como um fornecedor chave dessa nova onda de saúde e bem-estar, oferecendo mais proteína, qualidade e saudabilidade.



