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Explosão nuclear para desviar asteroides tem eficácia ligada ao ponto de impacto

03 de novembro de 2026
Explosão nuclear para desviar asteroides tem eficácia ligada ao ponto de impacto

Destaques

  • •Nova pesquisa aponta que o lado atingido por uma explosão nuclear em um asteroide pode alterar em até cinco vezes a eficiência de seu desvio.
  • •Simulações computacionais revelam que o formato irregular dos asteroides, e não sua simplificação como esferas, é crucial para determinar a trajetória e rotação após o impacto.
  • •A tecnologia, desenvolvida pelos Laboratórios Nacionais Sandia, busca aprimorar a defesa planetária contra ameaças espaciais, mas ainda enfrenta desafios na obtenção de dados e posicionamento do explosivo.

Uma nova pesquisa publicada na revista científica Icarus, conduzida por cientistas dos Laboratórios Nacionais Sandia, nos Estados Unidos, aponta que a eficácia de uma explosão nuclear para desviar um asteroide perigoso da Terra depende crucialmente do ponto do corpo espacial atingido pela radiação. As simulações computacionais revelaram que o formato irregular desses objetos influencia diretamente a manobra, podendo gerar resultados muito distintos na trajetória e rotação do asteroide.

O estudo demonstrou que a diferença na velocidade de desvio de um mesmo objeto pode ser de quase cinco vezes, dependendo do ângulo da explosão. Em um dos cenários, a mudança de velocidade foi de 3,9 milímetros por segundo em uma direção, enquanto em outra foi de apenas 0,8 milímetro por segundo. Para outro asteroide analisado, a alteração na velocidade de rotação variou por um fator de 17, conforme o local atingido.

Formato irregular dos asteroides é chave

A pesquisa superou limitações de modelos anteriores que simplificavam os asteroides como esferas. Essa abordagem, embora computacionalmente mais fácil, não refletia a realidade, pois esses corpos celestes frequentemente apresentam formatos irregulares, com superfícies cheias de saliências e depressões.

Nathan Moore, físico dos Laboratórios Nacionais Sandia e líder da pesquisa, destacou que a dimensão da influência da direção da explosão foi surpreendente. Para contornar as simplificações, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo capaz de combinar simulações de alta precisão com representações mais realistas dos asteroides.

Segundo Moore, a nova ferramenta é mais de 1,6 mil vezes mais rápida que os modelos anteriores, permitindo a execução de cálculos complexos que antes eram inviáveis com os recursos computacionais disponíveis. A imagem gerada pelas simulações mostra a distribuição de pressão na superfície de asteroides como Bennu, Itokawa e Golevka.

Como a explosão nuclear funcionaria

A estratégia não visa destruir o asteroide, mas sim desviá-lo. A ideia é detonar um dispositivo nuclear a uma distância calculada, de modo que os raios X liberados atinjam uma parte da superfície do asteroide. Esse aquecimento intenso provoca a vaporização do material superficial, que atua como um propulsor, gerando o impulso necessário para alterar o movimento do objeto.

As simulações permitem ajustar parâmetros como tamanho e distância da explosão, além da região a ser atingida. Com base nesses dados, o programa calcula a quantidade de material vaporizado, o impulso gerado e as possíveis mudanças na rotação do asteroide. Os pesquisadores também avaliam o risco de fragmentação, um ponto crítico para a defesa planetária.

Desafios e próximos passos

Apesar dos avanços, a ferramenta ainda possui limitações. O modelo atual considera a fragmentação de rochas superficiais, mas não prevê com precisão a ruptura completa do corpo do asteroide. Para uma aplicação real, seria essencial obter imagens tridimensionais de alta resolução do objeto, com detalhes de seu formato em todos os lados, o que pode ser inviável em uma situação de emergência.

Outro desafio significativo é o posicionamento preciso do dispositivo explosivo na distância e direção ideais, considerando o movimento do asteroide no espaço. Mesmo com essas dificuldades, o estudo representa um avanço importante na preparação para ameaças espaciais, aprimorando o cálculo de intensidade, distância e direção para desviar objetos perigosos antes que atinjam a Terra.

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