Executivos brasileiros priorizam produtividade e corte de custos nos próximos 3 anos

Destaques
- •Melhorias operacionais, produtividade e redução de custos lideram as prioridades de executivos brasileiros para os próximos três anos, segundo estudo da EY.
- •O levantamento aponta que 35% dos entrevistados focam em eficiência operacional, enquanto 31% priorizam o crescimento da participação de mercado.
- •A reforma tributária surge como o principal desafio externo, afetando a estrutura operacional e o capital de giro das empresas.
Melhorias operacionais, produtividade e redução de custos são as principais prioridades dos executivos brasileiros para os próximos três anos. O tema foi citado por 35% dos entrevistados no estudo Desafios e Tendências das Empresas em Latam 2026, da EY. O levantamento também mostra que as empresas precisam conciliar eficiência operacional com iniciativas voltadas ao crescimento e à transformação dos negócios.
Na sequência, 31% dos executivos apontaram o crescimento da participação de mercado como prioridade. Tecnologia e transformação digital aparecem em terceiro lugar, com 29% das menções, seguidas por estratégia e transformação de negócios (25%) e liquidez, gestão financeira e controle interno (19%).
Desafios na conciliação de prioridades
Para Leonardo Donato, líder de Clientes e Indústrias da EY na América Latina, o desafio está em evitar que as medidas de adequação operacional consumam os recursos necessários à diferenciação competitiva. No Brasil, segundo ele, custo de capital, volatilidade da demanda e pressão concorrencial tornam insuficientes tanto iniciativas isoladas de corte de despesas quanto projetos de transformação sem conexão com a estratégia corporativa.
A recomendação é direcionar os esforços para ganhos estruturais de produtividade, com simplificação de processos, automação, integração de dados, gestão de fornecedores e realocação de recursos para ofertas e canais com maior potencial de retorno. A EY também defende que os programas de transformação tenham metas relacionadas a margem, caixa, receita e experiência do cliente.
Tecnologia e cibersegurança em foco
A relevância da tecnologia aparece também entre as tendências globais que devem impactar as empresas nos próximos três anos. Inovação e produtividade impulsionadas pela tecnologia e transformação digital foram mencionadas por 86% dos participantes, cada uma. Cibersegurança e proteção de dados, assim como o uso de dados como ativo transversal às organizações, aparecem empatadas em seguida, com 79% das respostas. A adaptação a novas regulamentações foi citada por 75%.
O estudo destaca que a digitalização pode gerar ganhos operacionais, mas também aumenta a exposição a riscos cibernéticos e de continuidade. A dependência de terceiros, a concentração em fornecedores críticos e a integração entre dados, plataformas e operações exigem que a segurança seja considerada nas decisões de crescimento e transformação.
Entre as medidas apontadas pela EY estão planos de resposta e recuperação testados, gestão de fornecedores críticos, redundância seletiva e indicadores de resiliência acompanhados pela alta administração. O levantamento também menciona o uso de inteligência artificial em ataques cibernéticos e a adoção de Centros de Operações de Segurança (SOCs) automatizados como caminhos para melhorar a capacidade de detecção e resposta.
Reforma tributária como principal desafio externo
A reforma tributária foi apontada por 38% dos executivos brasileiros como o principal desafio externo para suas organizações nos próximos três anos. Segundo Waine Peron, sócio-líder de impostos da EY Brasil, a adaptação exige mapear os efeitos das mudanças nos preços, na estrutura operacional — incluindo fábricas, centros de distribuição e armazéns — e no capital de giro.
O estudo ouviu 1.988 diretores e executivos de alto escalão de 18 países da América Latina. No Brasil, participaram 214 profissionais.



