Exame de sangue para Alzheimer é aprovado e chega ao Brasil

Destaques
- •Novo teste sanguíneo detecta proteína associada ao Alzheimer com mais de 90% de precisão.
- •Exame promete diagnóstico mais rápido e acessível, custando cerca de R$ 3.000 na rede particular.
- •A aprovação pela Anvisa abre caminho para maior acesso à tecnologia, que ainda não é coberta por planos de saúde ou pelo SUS.
Uma nova era no combate ao Alzheimer se inicia no Brasil com a aprovação pela Anvisa de um exame de sangue capaz de identificar, com alta precisão, uma das principais pistas da doença neurodegenerativa. A novidade chega em um momento crucial, considerando que a condição afeta mais de 2 milhões de brasileiros e a expectativa é que esse número triplique até 2030.
O teste, que detecta uma forma da proteína tau (pTau217) na circulação sanguínea, tem se mostrado promissor na identificação de placas cerebrais que destroem neurônios, uma marca característica do Alzheimer. Segundo o neurocientista Eduardo Zimmer, do Hospital Moinhos de Vento, o exame possui mais de 90% de precisão na indicação da patologia associada à doença, embora não determine a demência em si ou sua gravidade.
Diagnóstico mais rápido e preciso
A chegada do exame de sangue representa um avanço significativo para pacientes e familiares. Ele oferece uma forma não invasiva de confirmar se sintomas como perda de memória e desorientação são, de fato, causados pelo Alzheimer, e não por outras enfermidades. Isso possibilita o início mais rápido do tratamento, o que faz toda a diferença no manejo da doença.
A geriatra Claudia Suemoto, da Faculdade de Medicina da USP, ressalta que, somado a outros exames, o teste pode tornar o diagnóstico mais precoce e preciso. Isso é especialmente importante, pois quadros iniciais de Alzheimer frequentemente demoram a ser detectados apenas com base na história clínica e análise neuropsicológica.
Indicações e limitações do teste
O novo exame, conhecido como Elecsys pTau217, não é recomendado para check-ups de rotina, mas sim para indivíduos com sinais ou suspeitas da doença neurológica, geralmente a partir dos 50 anos e com sintomas compatíveis. Ele se soma ou pode substituir métodos como a punção lombar para análise do líquor e o PET-CT amiloide.
No entanto, é fundamental ponderar que o resultado do exame de sangue não deve ser a única base para o diagnóstico. O neurologista Adalberto Studart Neto, da Academia Brasileira de Neurologia, alerta que nem todos com biomarcadores positivos, mas sem sintomas cognitivos, desenvolverão a doença. Por isso, o teste não deve ser usado como triagem em pessoas assintomáticas, especialmente pela ausência de tratamentos estabelecidos para essa fase.
Acessibilidade e próximos passos
Apesar das ponderações, o teste representa uma evolução considerável. Na rede particular, o exame custa cerca de R$ 3.000, um valor inferior aos de outros métodos como o de líquor (mais de R$ 4.000) e o PET-CT (entre R$ 10.000 e R$ 12.000). Atualmente, o exame não é coberto por convênios nem pelo SUS, mas há planos para que isso ocorra, dada a crescente importância do Alzheimer como desafio de saúde pública.
Matérias originais
- Alzheimer na mira: novo exame chega ao país para ajudar na detecção da doença · veja.abril.com.br



