PF indicia ex-dono do Banco Master e mais 14 por fraudes financeiras

Destaques
- •Ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal por crimes como gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro em operações entre o Banco Master e o BRB.
- •A investigação aponta um prejuízo estimado em R$ 2,7 bilhões, com suspeitas de carteiras de crédito falsas e gestão temerária.
- •A defesa de Vorcaro alega que não houve prejuízo ao BRB e apresentou perícia particular que aponta modificações em arquivos do celular do ex-banqueiro após apreensão pela PF.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, foi indiciado pela Polícia Federal (PF) no inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes em operações financeiras entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Ao todo, Vorcaro e mais 14 investigados foram formalmente acusados de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A investigação estima um prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, parte atribuída a carteiras de créditos inexistentes em nome da empresa Tirreno, considerada pela PF como de fachada.
Acusações e Defesa de Vorcaro
De acordo com o relatório de indiciamento da PF, Daniel Vorcaro teria tido participação pessoal, reiterada e diretiva nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master, sendo apontado como o principal beneficiário econômico e o centro decisório da estrutura investigada. A defesa de Vorcaro, contudo, nega as fraudes e argumenta que as operações com a Tirreno não causaram prejuízo ao BRB, pois as carteiras foram substituídas por outros ativos que geraram resultados positivos. Os advogados sustentam que a PF repete a mesma narrativa sem provas concretas e que nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo.
Controvérsias sobre Provas Digitais
A defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial particular que aponta a criação e modificação de centenas de arquivos no celular do ex-banqueiro após sua apreensão pela PF. Segundo o documento, 657 arquivos foram modificados e 436 criados enquanto o aparelho estava sob custódia estatal. A defesa alega que isso levanta dúvidas sobre a integridade da prova central da operação e pede o arquivamento do inquérito e a revogação da prisão preventiva de Vorcaro.
Outros Envolvidos e Próximos Passos
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também foi indiciado e declarou que as operações com o Banco Master foram acertadas em reunião com o então governador do DF, Ibaneis Rocha, e negou ter negociado apartamentos para facilitar os negócios. O ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, declarou à PF que Daniel Vorcaro tinha conhecimento das carteiras de consignados da instituição. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deve dividir o inquérito em núcleos de investigação focados no BRB, em parlamentares, executores de intimidação e hackers. Os delegados da PF pediram à Justiça um prazo adicional de 60 dias para concluir as investigações e apresentar um relatório complementar.
Matérias originais
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