EUA e China disputam minerais essenciais para novas tecnologias
Destaques
- •Corrida global por minerais estratégicos para IA e eletrificação impulsiona investimentos bilionários em países como Brasil e RDC.
- •Investimentos combinados de EUA e China em mineração estrangeira atingem níveis recordes, superando US$ 45 bilhões em 2025.
- •Países ricos em recursos naturais se beneficiam da disputa, mas a estratégia de "apropriação rápida" pode ter limites a longo prazo.
Os Estados Unidos e a China intensificaram uma disputa por minerais essenciais para o desenvolvimento de novas tecnologias, como inteligência artificial e eletrificação, impulsionando investimentos bilionários em países com abundância de recursos naturais. O mundo pode estar entrando em um novo superciclo de commodities, similar ao ocorrido na década de 2000, mas desta vez focado em minerais estratégicos.
A crescente demanda global por petróleo e minérios já impulsionou o crescimento de países pobres no passado. A China, por exemplo, viu o PIB de Angola quase dobrar entre 2002 e 2008 devido à demanda por commodities. Agora, a corrida entre as duas superpotências para garantir o suprimento de minerais como lítio, cobre e terras raras para a transição energética e a revolução da IA está reconfigurando a diplomacia e os fluxos de investimento.
Investimentos bilionários e diplomacia ativa
Ambos os países têm cortejado nações ricas em minerais, fechando acordos e oferecendo incentivos. O governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, investiu cerca de US$ 15,4 bilhões em minas estrangeiras em 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior, com apoio de bancos estatais como o EXIM e a Development Finance Corporation (DFC). A estratégia inclui oferecer preços garantidos e incentivar investidores privados.
Em resposta, as mineradoras estatais chinesas investiram mais de US$ 30 bilhões no exterior, superando os investimentos americanos. Os investimentos combinados das superpotências em mineração estrangeira não atingiam níveis tão altos desde o último superciclo econômico, há uma década. A urgência é clara, especialmente após a China retaliar tarifas americanas restringindo exportações de minerais de terras raras em 2025.
República Democrática do Congo e Brasil como focos principais
A República Democrática do Congo (RDC) tem sido um dos maiores beneficiários, com empresas chinesas investindo pesadamente em projetos de cobre e outros minerais. Recentemente, os Estados Unidos também voltaram a investir no país, com fundos governamentais negociando a compra de participação em minas de cobre e startups explorando depósitos de lítio. O investimento estrangeiro em mineração já representa cerca de 8% do PIB da RDC, com planos para um grande projeto de infraestrutura ferroviária.
O Brasil e o Cazaquistão também emergem como vencedores. No Brasil, a USA Rare Earth, com participação governamental, adquiriu a única produtora de quatro minerais raros fora da Ásia, com investimentos previstos de quase US$ 5 bilhões. A China também tem sido uma grande investidora no Brasil, aplicando cerca de US$ 6 bilhões no ano passado, focando em minas de níquel, cobre e ouro.
Desafios e perspectivas futuras
A estratégia de "apropriação rápida" de minas existentes, tanto por parte dos EUA quanto da China, visa acelerar o fornecimento de minerais. No entanto, essa abordagem tem limites, pois depende da capacidade de terceiros em desenvolver depósitos e enfrenta a cautela crescente de exploradores. Apesar da previsão de aumento na demanda por cobre, alguns países produtores, como o Chile, reduziram a produção devido a subinvestimento.
A interferência governamental na disputa por minerais pode confundir os sinais de preço, dificultando decisões de investimento em novos projetos. Embora possa levar uma década ou mais para identificar e desenvolver novas jazidas, países com depósitos prontos para exploração estão em posição privilegiada para se beneficiar no curto prazo.



