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EUA alertam sobre risco de sabotagem chinesa a cabos de internet no Pacífico

29 de outubro de 2026
EUA alertam sobre risco de sabotagem chinesa a cabos de internet no Pacífico

Destaques

  • •Relatório do Congresso americano aponta vulnerabilidade de cabos submarinos que sustentam a internet global a possíveis ações da China.
  • •Quatro cabos em desenvolvimento, com participação de Google, Meta e Verizon, estão entre os mais expostos, segundo classificação baseada em profundidade, tráfego marítimo e tensões geopolíticas.
  • •EUA recomendam maior monitoramento marítimo e investimento em recursos submarinos para proteger a infraestrutura crítica.

Navios chineses próximos a cabos submarinos no Pacífico geraram um alerta nos Estados Unidos sobre potenciais riscos de sabotagem contra a infraestrutura que sustenta grande parte da internet mundial. Um relatório ligado ao Congresso americano identificou conexões associadas a empresas como Google, Meta e Verizon como as mais vulneráveis, embora não comprove que as embarcações estejam preparando ataques.

O documento, elaborado pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China (USCC) e preparado pelo China Strategic Risks Institute, avalia as capacidades atribuídas à China e os possíveis pontos frágeis das redes. Ele apresenta um índice para ajudar autoridades americanas a identificar e priorizar os trechos mais expostos a possíveis ações hostis.

Classificação de Vulnerabilidade

A classificação leva em conta características das rotas, como a profundidade das águas, o movimento de embarcações e a localização dos cabos. Questões geopolíticas, incluindo as reivindicações territoriais da China sobre Taiwan, também são consideradas na avaliação. Randy Schriver, presidente da comissão, destacou a importância estratégica crescente da infraestrutura e como o desenvolvimento de recursos submarinos pela China pode ampliar os riscos.

"Os cabos submarinos, que transportam a grande maioria do tráfego internacional de dados, são a espinha dorsal da economia digital global e estão cada vez mais ligados à segurança nacional. Este relatório aponta que a China está desenvolvendo uma série de capacidades para alcançar o ‘Comando do Mar Profundo’, com potencial para provocar grandes interrupções nessas redes", afirmou Schriver.

O relatório também menciona tecnologias de uso duplo, que podem servir a atividades civis ou militares, incluindo submersíveis capazes de alcançar 10 mil metros de profundidade e plataformas não tripuladas.

Cabos em Desenvolvimento Sob Risco

Segundo o levantamento, quatro projetos ainda em desenvolvimento aparecem entre os dez cabos trans-Pacífico com maior pontuação de risco. São eles:

  • E2A, com participação da Verizon;
  • TPU, de propriedade do Google;
  • ORCA, pertencente à Meta;
  • ACC-1, desenvolvido pela Inligo Networks.

A exposição dessas conexões está relacionada às características das rotas e ao cenário geopolítico da região. O levantamento identifica Taiwan, Japão e Filipinas como áreas especialmente sensíveis, devido às tensões políticas e à passagem de cabos por águas rasas e corredores marítimos movimentados.

Uma interrupção grave poderia forçar parte dos dados a percorrer caminhos mais longos. Se vários cabos fossem afetados simultaneamente, a capacidade de comunicação entre os Estados Unidos e a Ásia poderia sofrer uma pressão ainda maior, com possíveis reflexos para serviços de internet, computação em nuvem e operações financeiras.

Recomendações de Proteção

A classificação representa uma avaliação preventiva, e estar entre os projetos mais vulneráveis não significa que um cabo tenha sido atacado ou que exista uma operação confirmada para danificá-lo. Para reduzir os riscos, a USCC recomenda ampliar o monitoramento marítimo em parceria com aliados, renovar a frota internacional usada para reparar cabos e investir em recursos submarinos voltados à proteção dessas estruturas.

Hal Brands, integrante da comissão, defende que a proteção não dependa apenas da recuperação das redes após eventuais danos. "Para proteger essa infraestrutura crítica, o relatório recomenda novas ferramentas para identificar vulnerabilidades e melhorar o monitoramento, a resiliência e a coordenação com aliados antes que uma crise ocorra, ajudando a garantir que essas redes críticas permaneçam seguras e confiáveis", enfatizou Brands.

As recomendações refletem a preocupação americana com possíveis ações que provoquem danos sem desencadear um confronto militar aberto, conhecidas como táticas de zona cinzenta. A Meta, citada no relatório, anunciou recentemente a construção de um cabo submarino gigante capaz de transmitir 1 petabit por segundo.

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