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ETFs na B3 permitem investir em gigantes da IA a partir de R$ 35

04 de novembro de 2026

Destaques

  • •Fundos de índice negociados na Bolsa brasileira oferecem acesso a empresas de tecnologia ligadas à inteligência artificial, como Nvidia e Microsoft.
  • •O CHIP11, que reúne 25 líderes globais de semicondutores, tem valorização de 40% no ano, enquanto o BRIA11, focado em IA, acumula alta de 2% desde setembro.
  • •Especialistas recomendam cautela e sugerem que esses fundos temáticos representem de 3% a 5% do portfólio do investidor.

Investidores brasileiros agora podem ter acesso a gigantes globais da inteligência artificial, como Nvidia, Microsoft e Apple, com valores a partir de R$ 35, diretamente pela B3. A modalidade de investimento é através de ETFs (Exchange Traded Funds), fundos de índice negociados como ações, que permitem adquirir uma cesta diversificada de empresas com uma única cota. Essa opção elimina a necessidade de abrir conta no exterior ou converter reais em dólar.

Um dos ETFs disponíveis na Bolsa brasileira para o setor de IA é o CHIP11, gerido pela Investo. Este fundo reúne 25 empresas líderes na indústria de semicondutores, com a cota negociada próxima a R$ 35. No ano de 2026, o CHIP11 já registrou uma valorização de cerca de 40%, posicionando-se como o segundo ETF de ações com melhor desempenho na B3, atrás apenas do HTEK11 (+46%), que foca em empresas de tecnologia para inovação em saúde nos EUA.

Diversificação em um mercado volátil

A estratégia de investir via ETFs ganha força em um cenário onde é difícil prever qual empresa dominará a corrida da inteligência artificial. Conforme explica Eduardo Mira, conhecido como Professor Mira, a diversificação é fundamental. Os ETFs permitem ao investidor distribuir seus recursos entre diversas empresas, e a carteira do índice é rebalanceada automaticamente conforme o mercado se movimenta.

No CHIP11, a Nvidia detém a maior participação, com 19% do patrimônio, seguida pela TSMC (cerca de 9%) e AMD (com 6%). A Nvidia, fabricante dos chips essenciais para IA, disputa o posto de empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado na casa dos US$ 5 trilhões. Empresas como Amazon, Google, Meta e Microsoft projetam gastos de cerca de US$ 800 bilhões em bens de capital este ano, com a expectativa de atingir US$ 1 trilhão em 2027, beneficiando diretamente fabricantes de semicondutores.

Outro ETF relevante é o BRIA11, gerido pela Bradesco Asset, que replica o índice FTSE AI Global Leaders e inclui empresas americanas e chinesas. Suas maiores posições são Microsoft (4,3%), Meta (4,0%), Apple (3,6%) e Nvidia (3,5%). Com cotas próximas a R$ 104, o fundo acumula alta de 2% em seus quase dois meses de existência desde setembro.

O pano de fundo e os riscos do setor

Os ETFs brasileiros de IA acompanham um movimento global. O índice S&P 500, da bolsa americana, acumula alta de mais de 12% no ano, e o MSCI World, de países desenvolvidos, cerca de 11%. O SOXX, ETF americano de semicondutores, avançou 47%. O Goldman Sachs projeta que o S&P 500 terá seu quarto ano consecutivo de alta de dois dígitos, com o lucro por ação crescendo 33% no terceiro trimestre, sendo a IA responsável por cerca de 60% desse crescimento.

Contudo, outubro apresentou um cenário de volatilidade. O SOXX caiu 17% no mês, impactado pela Intel, que desabou 45%. O setor de tecnologia, que representa 38% do S&P 500, recuou quase 7%, a maior queda mensal desde março de 2025. Na B3, o CHIP11 perdeu cerca de 10% de seu valor.

Balanços fracos de empresas como Intel, Amazon e Alphabet geraram dúvidas sobre o retorno dos mais de US$ 4,2 trilhões previstos em gastos pelas grandes empresas. O Nasdaq 100, índice das maiores empresas de tecnologia americanas, perdeu mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado em outubro. A Goldman Sachs avalia que a expansão desses investimentos está perto do pico, com a emissão de dívida corporativa ligada à IA já somando US$ 657 bilhões no ano.

Cautela e estratégia de alocação

Analistas recomendam cautela, tratando fundos temáticos e de alta volatilidade como o CHIP11 e BRIA11 como posições-satélite. A sugestão é que esses fundos não ultrapassem 3% a 5% do portfólio total do investidor. Essa abordagem permite a exposição a um tema com potencial de valorização sem comprometer o núcleo da carteira, que deve ser formado por ativos mais defensivos.

Outro fator a ser considerado é o câmbio. Como os ETFs investem em empresas estrangeiras, a cotação do dólar afeta diretamente o resultado em reais. Uma desvalorização do dólar pode reduzir os ganhos, mesmo com a alta das ações. Há também a memória da bolha ponto-com, quando a Nasdaq caiu quase 80% entre 2000 e 2002.

O UBS, que defende a tese da IA, ressalta a importância de os investidores administrarem posições excessivamente concentradas, buscando diversificação entre setores e regiões, e considerando áreas mais defensivas da tecnologia.

A série Minuto ETF, em parceria com o Professor Mira, com novos episódios todas as terças-feiras, aborda temas como fundos de índices nas redes sociais do InvestNews.

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