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Estudo de Harvard aponta 76 fatores associados ao risco de Alzheimer

21 de outubro de 2026
Estudo de Harvard aponta 76 fatores associados ao risco de Alzheimer

Destaques

  • •Pesquisa com 500 mil britânicos identificou 76 exposições ligadas ao desenvolvimento de Alzheimer e outras demências.
  • •Fatores de risco incluem cochilos frequentes, dificuldades financeiras e poluição; conviver a dois e uso de tecnologias digitais mostraram proteção.
  • •Estudo observacional aponta associações, mas não comprova causalidade direta dos fatores na doença.

Um estudo abrangente realizado por pesquisadores da Harvard, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, identificou 76 fatores de exposição associados ao risco de desenvolver a doença de Alzheimer e outras formas de demência. A pesquisa analisou dados de aproximadamente 500 mil britânicos com idades entre 40 e 69 anos, acompanhados por mais de uma década. Desses fatores, 45 aumentaram o risco da doença, enquanto 31 demonstraram ter um efeito protetor.

O estudo dividiu as exposições em cinco grupos: social, estilo de vida, químico, físico e ecossistema. Durante o período de acompanhamento, 8.881 participantes (cerca de 1,77%) desenvolveram Alzheimer ou demência relacionada. A análise revelou que cochilar frequentemente, passar por dificuldades financeiras, ter problemas emocionais e respirar ar poluído são condições que podem aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, além do já conhecido tabagismo e consumo de álcool.

Fatores de Risco Identificados

Entre as condições que apresentaram associação com o aumento do risco, destacam-se o cochilo frequente, que pode alterar padrões de sono e prejudicar o sistema glinfático responsável pela limpeza cerebral. Dificuldades financeiras foram ligadas ao estresse contínuo e à piora da qualidade de vida. A polifarmácia, ou seja, o uso de múltiplos medicamentos, foi o preditor individual mais forte, refletindo uma carga elevada de doenças crônicas. Problemas emocionais como depressão e ansiedade também foram associados a estados de neuroinflamação. A exposição ao ar poluído, especificamente dióxido de nitrogênio e partículas finas, foi apontada como agente neurotóxico. O tabagismo e o consumo inadequado de álcool também figuram na lista.

Fatores de Proteção Observados

Por outro lado, o estudo apontou 31 fatores que podem ajudar a reduzir o risco de demência. A prática regular de exercícios físicos, atividades manuais e caminhadas foram associadas a mecanismos neuroprotetores. A convivência a dois demonstrou diminuir o isolamento social e o estresse, com indivíduos que moram com um parceiro apresentando um risco 22% menor. Renda e segurança financeira também contribuem para a redução do estresse. Curiosamente, o consumo de ovos foi associado a um risco 76% menor para quem nunca os consumiu, e o uso de tecnologias digitais, como computador e celular, foi ligado a uma menor incidência, possivelmente pela estimulação cognitiva.

É importante ressaltar que o estudo é observacional, o que significa que ele demonstra associações entre os fatores e a doença, mas não estabelece uma relação de causa e efeito direta. A doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo que afeta a memória e a capacidade cognitiva, e estima-se que mais de 50 milhões de pessoas vivam com demência no mundo, com projeções de aumento significativo para as próximas décadas.

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