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Estudo de DNA antigo revela que grou gigante extinto é, na verdade, grou-comum

30 de outubro de 2026
Estudo de DNA antigo revela que grou gigante extinto é, na verdade, grou-comum

Destaques

  • •Análise de DNA antigo desmistifica espécie de grou extinto descrita há mais de 150 anos.
  • •Ossos fósseis de Grus primigenia pertencem a versões maiores do grou-comum (Grus grus), com machos antigos sendo significativamente maiores que os atuais.
  • •Pesquisa sugere que mudanças ambientais e pressão humana podem ter levado à redução do tamanho da espécie ao longo do tempo.

Um novo estudo publicado na Royal Society Open Science desvendou um mistério de mais de 150 anos sobre uma espécie de grou extinto, o Grus primigenia. Descrito em 1871 pelo biólogo francês Alphonse Milne-Edwards com base em ossos fósseis encontrados em uma caverna no sul da França, o grou gigante era considerado uma espécie separada que viveu no final da última Era Glacial, há mais de 20 mil anos. A principal característica que levou a essa classificação era o tamanho significativamente maior de seus ossos em comparação com os grous modernos.

No entanto, a análise de DNA antigo de 18 ossos de grou provenientes de diversas localidades europeias, realizada em parceria com o Centro de Paleogenética em Estocolmo, na Suécia, pela Universidade Bournemouth, revelou que esses fósseis pertencem, na verdade, a versões maiores do grou-comum (Grus grus) que ainda habitam a Europa.

O que diz a pesquisa

O estudo, publicado na Royal Society Open Science em 2026, utilizou análise de DNA antigo para resolver o status taxonômico do extinto grou gigante Grus primigenia. A pesquisa analisou 18 restos de grou do Pleistoceno tardio ao Holoceno tardio e identificou todos como Grus grus. Os resultados confirmaram que os indivíduos antigos eram sexualmente dimórficos, com machos significativamente maiores do que os machos modernos, enquanto os espécimes do tamanho de machos modernos incluíam fêmeas antigas. Isso indica que o Grus grus diminuiu de tamanho desde os tempos saxônicos (884 anos antes do presente).

Como chegou a esse ponto

A confusão taxonômica se deu, em grande parte, pelos métodos de análise utilizados no século 19, que se baseavam unicamente em morfometria, ou seja, no tamanho e formato dos ossos. Com a evolução das técnicas de sequenciamento genético, a análise de DNA moderno oferece uma precisão muito maior para a identificação de espécies.

O autor do artigo, John Stewart, da Universidade Bournemouth, relatou que a equipe suspeitava que os grandes grous fossem, de fato, exemplares maiores do grou-comum europeu. A diferença de tamanho observada nos fósseis foi atribuída à dimorfia sexual acentuada na espécie, com machos antigos sendo consideravelmente maiores que as fêmeas da mesma época e também maiores que os machos atuais.

O que vem depois

Stewart levanta hipóteses para explicar a redução no tamanho dos grous-comuns ao longo do tempo, sugerindo que pressões seletivas causadas pela ação humana e mudanças ambientais podem ter desempenhado um papel crucial. A menor oferta de alimento ou maior competição em determinados habitats pode ter favorecido indivíduos menores, que consomem menos recursos.

O pesquisador também pondera que a extinção de espécies no passado pode ter sido superestimada, com algumas ocorrências sendo, na verdade, alterações no tamanho de espécies ainda existentes. Ele ressalta, contudo, que mais estudos são necessários para compreender completamente a evolução do tamanho do grou-comum.

Atualmente, o grou-comum pode ser encontrado no norte da Europa e na Ásia ocidental. São aves de pernas e pescoço longos, plumagem cinzenta e uma mancha vermelha na cabeça, conhecidas por suas migrações em grandes bandos organizados em formação de V.

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