Envelhecimento de pessoas com deficiência exige cuidados adaptados e preventivos

Destaques
- •Aumento da expectativa de vida de pessoas com deficiência traz desafios de saúde e manutenção da autonomia.
- •Perda de força muscular, sarcopenia, osteoporose e maior vulnerabilidade a doenças crônicas são riscos associados.
- •Acompanhamento médico preventivo, rede de apoio e adaptação de atividades são cruciais para qualidade de vida.
O aumento da expectativa de vida das pessoas com deficiência impõe novos desafios para a saúde e a manutenção da autonomia. Com o avanço da idade, limitações motoras, intelectuais ou sensoriais podem demandar cuidados adicionais e ampliar a necessidade de acompanhamento médico e suporte familiar, segundo o geriatra Marcelo Altona, do Einstein Hospital Israelita.
Os impactos do envelhecimento variam conforme o tipo de deficiência, as condições de saúde e os cuidados recebidos ao longo da vida. Pessoas com deficiência motora, como paraplegia ou paralisia cerebral, podem experimentar maior perda de mobilidade, enfrentando riscos como sarcopenia (perda de massa e força muscular), osteoporose, dores crônicas e lesões de pele. A dificuldade de locomoção pode ainda favorecer o sedentarismo e agravar condições como obesidade, hipertensão e diabetes.
Cuidados específicos para deficiência intelectual e Síndrome de Down
Para indivíduos com deficiência intelectual, o envelhecimento pode significar a necessidade de um suporte mais robusto para manter rotinas de alimentação, consultas médicas, administração de medicamentos e cuidados preventivos. Um desafio adicional surge com o envelhecimento dos próprios cuidadores, especialmente quando o suporte familiar é a principal fonte de auxílio.
Pessoas com síndrome de Down, por exemplo, podem manifestar sinais de envelhecimento mais cedo, a partir dos 40 anos, e apresentam uma predisposição genética aumentada para a doença de Alzheimer. O acompanhamento médico, portanto, deve abranger não apenas as doenças preexistentes, mas também a mobilidade, a saúde mental, a capacidade de comunicação, a autonomia e a rede de suporte familiar.
Prevenção e adaptação são chaves para a qualidade de vida
Marcelo Altona enfatiza a importância da prevenção ativa: “Quando a prevenção da pessoa com deficiência deve ser cobrada? Quando está tudo bem e não quando acontece alguma coisa”. As recomendações gerais incluem alimentação equilibrada, sono adequado, prática de atividade física, estímulo cognitivo e convivência social.
Essas práticas, contudo, necessitam de adaptação às condições e necessidades individuais. Para pessoas com limitações motoras, exercícios aquáticos ou realizados sentadas podem ser alternativas viáveis. Já aquelas com deficiência intelectual podem se beneficiar de atividades adaptadas à sua capacidade de compreensão. O planejamento preventivo e a manutenção de uma rede de apoio sólida são fundamentais para preservar a independência e a qualidade de vida na terceira idade.
Matérias originais
- Envelhecimento amplia desafios para pessoas com deficiência · poder360.com.br



