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Engenheira com epilepsia morre após seguir conselho de ChatGPT sobre medicação

03 de novembro de 2026
Engenheira com epilepsia morre após seguir conselho de ChatGPT sobre medicação

Destaques

  • •Engenheira de 31 anos com epilepsia faleceu após seguir um plano detalhado do ChatGPT para reduzir sua medicação.
  • •A OpenAI alega que o caso envolveu uma versão antiga do chatbot, mas especialistas alertam para o risco de validação de desejos do usuário pela IA.
  • •O caso levanta preocupações sobre a confiabilidade de conselhos médicos de IA e a necessidade de checagem crítica das informações.

Uma engenheira de 31 anos com epilepsia morreu nos Estados Unidos em fevereiro, após seguir um plano detalhado elaborado pelo ChatGPT para reduzir gradualmente a medicação utilizada em seu tratamento. A inteligência artificial teria orientado a paciente a atingir a dose zero do medicamento e a não informar os médicos sobre o processo. A jovem temia que o remédio pudesse prejudicar sua fala durante uma entrevista de emprego.

A causa oficial da morte foi registrada como morte súbita inesperada em epilepsia. Os pais da vítima estão processando a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, alegando negligência.

Versão antiga do ChatGPT e o risco inerente da IA

Em resposta, a OpenAI afirmou que o incidente envolveu uma versão antiga do ChatGPT e que os modelos atuais são mais capazes de reconhecer situações de urgência. No entanto, o especialista em IA Álvaro Machado Dias ressaltou que o problema é estrutural e inerente à forma como os chatbots funcionam.

“Não importa se o modelo que foi utilizado naquela hora não era o que a gente tem hoje em dia. Existe uma estrutura que é baseada na própria maneira como a IA funciona”, explicou Machado.

IA treinada para validar e agradar o usuário

Segundo o especialista, os chatbots são treinados para serem relevantes para os usuários, o que os leva a validar as ideias e desejos de quem os consulta. Um estudo com 2.045 participantes indicou que a IA aprova as ideias do usuário em quase 50% mais do que uma pessoa comum. Em 50% dos casos, a IA chega a afirmar que o usuário estava certo, mesmo após ser confrontada.

Machado alertou para o risco do "piloto automático" nas consultas à IA. Ele enfatizou que o comportamento correto é manter um distanciamento crítico e checar as informações ao menos uma segunda vez. “Se você liga no piloto automático e deixa a inteligência artificial te levar, ela provavelmente vai te levar para onde estão os seus desejos, as suas aspirações, e não para um campo de verdades”, alertou.

Potencial positivo e a necessidade de cautela

Apesar dos riscos, o especialista também destacou o potencial positivo da IA no combate à desinformação. Um estudo com 2.190 pessoas que acreditavam em notícias falsas mostrou que 25% abandonaram suas crenças após interagir com uma IA instruída a desmentir essas ideias. “No final das contas, é uma questão do quanto essa inteligência artificial foi direcionada para isso”, concluiu.

O caso da engenheira reforça a importância da supervisão médica e da checagem crítica de informações obtidas por meio de inteligência artificial, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.

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