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Endividamento familiar no Brasil cai levemente em outubro, mas alta renda tem piora

05 de novembro de 2026
Endividamento familiar no Brasil cai levemente em outubro, mas alta renda tem piora

Destaques

  • •A parcela de famílias brasileiras muito endividadas caiu para 16,8% em outubro, o menor nível desde abril.
  • •A inadimplência geral recuou, mas famílias de alta renda registraram aumento de mais de 30% em dívidas atrasadas em 12 meses.
  • •Especialistas apontam o crédito rotativo do cartão, com juros de até 451,7% ao ano, como um dos vilões do endividamento.

A parcela de famílias brasileiras que se consideram muito endividadas caiu para 16,8% em outubro, o menor patamar desde abril, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A inadimplência, que mede famílias com dívidas em atraso, também apresentou melhora pelo segundo mês consecutivo, caindo de 29,6% para 29,3% em outubro.

Apesar da melhora geral, a pesquisa aponta um cenário preocupante para as famílias de alta renda. Dados do Banco Central (BC) revelam que a taxa de inadimplência cresceu 38,8% entre brasileiros que ganham de 10 a 20 salários mínimos e 35,8% entre aqueles com renda acima de 20 salários mínimos, na comparação com agosto do ano anterior. Embora ainda registrem taxas menores, foi entre os mais ricos que o indicador apresentou as maiores altas percentuais.

O que explica a alta inadimplência entre os mais ricos?

Especialistas ouvidos pelo g1 apontam o crédito rotativo do cartão como um dos principais vilões. Essa modalidade emergencial, de acesso imediato e sem nova contratação de empréstimo, pode ter juros extremamente elevados. Dados preliminares do BC para setembro indicam que a taxa média de juros do rotativo do cartão chegou a 451,7% ao ano (15,29% ao mês).

Já os juros do parcelamento da fatura, onde o cliente divide o saldo devido, atingiram 193% ao ano (9,37% ao mês). "O cartão de crédito é uma faca de dois gumes. Ele pode ajudar no orçamento se a pessoa conseguir se organizar. Mas, infelizmente, a maior parte da população ainda enxerga o cartão como uma oportunidade de esticar o orçamento no curto prazo, e o resultado disso é um juro exorbitante", afirma Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.

Crédito às famílias e outros fatores de pressão

O cenário de juros elevados ocorre em meio à expansão do crédito às famílias. Segundo o BC, o estoque das operações de crédito para pessoas físicas cresceu 9,9% nos 12 meses encerrados em setembro. No rotativo do cartão, as concessões avançaram 12,6% em setembro, totalizando R$ 37,3 bilhões.

A mudança comportamental do brasileiro, com acesso mais fácil ao consumo pela internet, também contribui para o aumento do uso do cartão e das compras por impulso. Outro fator de pressão é a inflação, que segue acima da meta, com o IPCA-15 subindo 0,32% em outubro e acumulando 4,62% em 12 meses.

Apesar do início da queda da taxa básica de juros (Selic), que está em 13,75% ao ano, os efeitos do período prolongado de crédito caro ainda pesam no orçamento das famílias. "O brasileiro tem o hábito de pagar o preço da facilidade. No caso do crédito, esse preço é a taxa de juros elevada do cartão de crédito", diz Bentes.

Endividamento por faixa de renda

A pesquisa da CNC detalha o endividamento por faixas de renda. Entre as famílias que ganham até 3 salários mínimos, o percentual de inadimplentes subiu de 38,5% para 38,6% em outubro, sendo a única faixa onde o indicador avançou. Já entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, a inadimplência caiu de 71,9% para 71,5%.

O percentual de famílias com algum tipo de dívida a vencer ficou em 81,6% em outubro. O índice teve baixa de apenas 0,1 ponto percentual na comparação com setembro, mas continua acima dos 79,5% registrados no mesmo mês de 2025. A CNC projeta estabilidade no endividamento geral até dezembro, com a inadimplência continuando em trajetória de queda.

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