Endividamento familiar bate recorde, mas nem toda dívida é problema

Destaques
- •Índice de endividamento familiar atinge 49,9% da renda acumulada em 12 meses, igualando recorde histórico.
- •Especialistas alertam para a diferença entre estar endividado e inadimplente, com financiamento imobiliário sendo um exemplo de dívida controlada.
- •Aumento do endividamento é atribuído a fatores como uso cultural do crédito, juros altos e busca por satisfação imediata, incluindo apostas esportivas.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% da renda acumulada em 12 meses no primeiro semestre de 2026, igualando o recorde histórico. No entanto, especialistas como Lucas Oliveira, da Nexgen Capital, ressaltam que nem toda dívida representa um problema. A chave está em diferenciar estar endividado de estar inadimplente.
Financiamentos como o da casa própria, por exemplo, são dívidas que podem ser administráveis, especialmente se as parcelas estiverem em dia. O próprio Banco Central, ao desconsiderar esse tipo de crédito, reduz o índice de endividamento para 30,8%. A análise deve focar no que está por trás da dívida e como ela se encaixa na vida financeira.
O aumento geral do endividamento é explicado por uma combinação de fatores. O uso cultural do crédito para antecipar o consumo, a facilidade de acesso a ele em um cenário de juros elevados e a busca por satisfação imediata, inclusive através de apostas esportivas, são apontados como causas principais. A inadimplência, segundo a CNC, voltou a subir em agosto, atingindo 29,9%.
Identificar sinais de descontrole financeiro é crucial para evitar o superendividamento. Comportamentos que comprometem a capacidade de poupança e a realização de objetivos de longo prazo são alertas importantes. Profissionais como Lucas Ferraz, da Faz Capital, e Érico Colodeti Filho, da Forttu Investimentos, destacam a importância de um diagnóstico completo, incluindo mapeamento comportamental, fluxo de caixa, análise de passivos e patrimônio.

