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Empresas planejam saída da nuvem com testes de migração e custos

23 de outubro de 2026
Empresas planejam saída da nuvem com testes de migração e custos

Destaques

  • •Empresas estão planejando a saída de provedores de nuvem com mais atenção aos custos e complexidades envolvidas.
  • •Testes de migração em sistemas representativos medem tempo e custo, além de avaliar a viabilidade técnica e o impacto em serviços gerenciados.
  • •A saída da nuvem é um requisito regulatório para instituições financeiras e um fator estratégico para garantir a continuidade dos negócios.

A contratação de provedores de nuvem tem sido focada nos benefícios de entrada, como capacidade sob demanda e agilidade. No entanto, a saída desses serviços, que envolve a redistribuição de cargas entre nuvens públicas, privadas e data centers próprios, tem ganhado atenção. Empresas realizam essa movimentação por motivos como custo, exigências regulatórias, fusões e aquisições, ou para reduzir a dependência de um único fornecedor.

Um estudo da Flexera, com 753 profissionais técnicos e executivos nos EUA e Europa, revelou que 73% das organizações operam ambientes híbridos, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A pesquisa também indicou que a quantidade de cargas de trabalho e dados retornados da nuvem cresceu 2 pontos percentuais. Os principais desafios citados na migração para a nuvem pública incluem o mapeamento de dependências entre aplicações e a avaliação da viabilidade técnica. Boa parte das empresas, cerca de 71%, já utiliza serviços gerenciados de provedores de nuvem pública, como data warehouses.

Inventário de dependências é crucial para a saída

O mapeamento de dependências, um dos maiores desafios na migração para a nuvem, também se mostra complexo na saída. Ele se estende além de uma simples lista de máquinas virtuais, abrangendo os serviços específicos que cada aplicação consome do provedor, como bancos de dados gerenciados, filas de mensagens e funções sem servidor. A migração de bancos de dados com motores de código aberto pode ser mais simples com ferramentas de replicação conhecidas. Contudo, serviços proprietários ou funções desenvolvidas para modelos de eventos de um provedor específico exigem reescrita de código, consultas e rotinas de carga.

A forma como o ambiente foi construído também impacta o processo. Infraestruturas gerenciadas por código (Infrastructure as Code) facilitam o inventário, pois o ambiente é versionado e os módulos podem ser reaproveitados. Já ambientes criados por configurações manuais no console exigem um levantamento detalhado do que existe, incluindo redes, regras de firewall e certificados.

A criptografia é outro ponto de atenção. Dados cifrados em repouso pelo provedor podem ser exportados legíveis, mas cópias de segurança e campos cifrados com chaves do serviço de gerenciamento de chaves do provedor podem se tornar inacessíveis se as chaves não forem exportadas antes do fim do contrato. É necessário restaurar e exportar esses materiais, cifrar novamente no destino com chaves sob controle da empresa e verificar a integridade dos dados antes de desligar o serviço de origem.

Teste de saída mede prazo e custo em sistemas representativos

Para instituições financeiras reguladas pelo Conselho Monetário Nacional, a saída da nuvem é um requisito contratual. Os acordos para serviços relevantes devem prever a transferência de dados para um novo prestador ou para a própria instituição, com a exclusão do conteúdo apenas após a confirmação da integridade e disponibilidade dos dados no destino. Essa norma também exige que as políticas de gerenciamento de riscos definam procedimentos para continuidade de negócios em caso de interrupção do serviço, incluindo cenários de substituição de fornecedor.

O teste de saída serve como evidência de que esses procedimentos funcionam. Uma abordagem comum é reproduzir um sistema de porte médio, com integrações ativas e uma base de dados representativa, em outra nuvem pública, privada ou data center próprio. Para dados pessoais, é essencial usar informações anonimizadas ou operar sob os mesmos controles de acesso da produção, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

O objetivo é medir o tempo de cada etapa, desde a exportação dos dados até a autenticação dos usuários no destino, e registrar ajustes manuais necessários. O custo total inclui a transferência de dados, a infraestrutura duplicada durante a coexistência dos ambientes, horas de engenharia para reescrever integrações e serviços, e licenças de software que podem não acompanhar a migração.

Os provedores de nuvem, ao oferecerem crédito para quem está saindo, podem cobrir parte do custo de transferência. No entanto, o crédito pode não ser suficiente para cobrir o trabalho de reconstruir serviços gerenciados ou o período de operação paralela. A empresa só tem certeza de que consegue sair da nuvem contratada quando o plano de continuidade registra prazos e custos realistas, medidos em testes recentes, e quando esses testes demonstram que a operação continua atendendo os clientes durante a transição.

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