Empresas chilenas falham em reportar riscos climáticos, aponta estudo

Destaques
- •Apenas 1% das empresas no Chile reporta o impacto financeiro de riscos climáticos, segundo estudo da Forvis Mazars.
- •A falta de dados dificulta a atração de capital estrangeiro e a priorização de investimentos em sustentabilidade.
- •Normas internacionais de reporte de sustentabilidade terão aplicação obrigatória a partir de 2027 no Chile.
Um estudo da Forvis Mazars revelou que apenas 1% das empresas no Chile reporta o impacto financeiro de seus riscos climáticos. A pesquisa, divulgada pela Forbes, aponta uma lacuna significativa na divulgação de informações que dificulta a avaliação da exposição das companhias aos efeitos da crise climática e a atração de capital estrangeiro.
O ano de 2026 é visto como um marco na percepção da magnitude dos fenômenos ambientais no país, com eventos extremos como inundações, secas e incêndios florestais se tornando mais frequentes. A ONU classifica o Chile como um dos países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Para as empresas, o aquecimento global representa riscos diretos sobre ativos, receitas e continuidade operacional.
Lacuna na avaliação de riscos e materialidade
A pesquisa indica que a maioria das empresas não conhece sua exposição aos riscos climáticos nem as decisões tomadas para mitigá-los. Apenas 24% das companhias realizam uma análise de dupla materialidade, que avalia tanto os impactos da empresa no meio ambiente quanto os efeitos financeiros dos fatores de sustentabilidade no negócio. Essa avaliação é crucial para definir prioridades de investimento e gestão.
A identificação de riscos nas operações e na cadeia de suprimentos, considerando a localização de ativos e a dependência de recursos como água e energia, é um passo fundamental. Além disso, é necessário avaliar as mudanças regulatórias, tecnológicas e de mercado associadas à transição para uma economia de baixo carbono, como a Taxonomia de Atividades Econômicas Ambientalmente Sustentáveis do Ministério da Fazenda.
Desafios na governança e continuidade operacional
A transformação do diagnóstico em planos de continuidade operacional eficazes ainda é um desafio. Proteger colaboradores, resguardar instalações, buscar fornecedores alternativos e preparar a recuperação exigem responsabilidades claras, orçamento e simulações. A pesquisa também aponta uma defasagem na alta gestão, com apenas 4% dos executivos reportando conhecimentos em mudanças climáticas e uma parcela ainda menor com experiência específica na área.
A Comissão para o Mercado Financeiro (CMF) adiou a aplicação obrigatória das normas IFRS/NIIF S1 e S2 para o exercício de 2027, com relatórios previstos para 2028. Esse prazo adicional deve ser utilizado para desenvolver informações confiáveis e fortalecer a governança corporativa, capacitando os conselhos a supervisionar medidas, alocar recursos e cobrar resultados relacionados à gestão de riscos climáticos.
É imperativo que as organizações identifiquem sua exposição climática, quantifiquem e reportem o impacto em seus negócios. A avaliação das medidas adotadas para reduzir esse impacto permitirá priorizar investimentos internacionais e comprovar a proteção de ativos, receitas e continuidade operacional.



