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Empresas buscam Paraguai após eleição de Lula; buscas por 'morar no Paraguai' disparam

29 de outubro de 2026
Empresas buscam Paraguai após eleição de Lula; buscas por 'morar no Paraguai' disparam

Destaques

  • •Aumento de 25 para 100 empresas buscando consultoria para investir no Paraguai após eleição de Lula.
  • •Buscas por 'como morar no Paraguai' cresceram 1.700% no Google Trends no dia do segundo turno.
  • •Acompanhar a continuidade do interesse de empresas brasileiras em se instalar no Paraguai e os impactos econômicos.

O interesse de empresas brasileiras em avaliar investimentos e alternativas de produção no Paraguai aumentou significativamente após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A consultoria Frontexa, especializada na instalação de negócios no país vizinho, registrou um salto no número de companhias buscando informações. Nas 48 horas seguintes ao resultado eleitoral, em 26 e 27 de outubro, 25 empresas procuraram a consultoria, enquanto de janeiro a setembro o número total de contatos foi de aproximadamente 100.

A fundadora da Frontexa, Raizer, afirmou que o resultado das eleições antecipou decisões de investimento que muitas empresas planejavam discutir apenas nos próximos anos. As principais preocupações que motivam essa busca por alternativas no Paraguai incluem custos de produção, a reforma tributária brasileira, encargos trabalhistas e a previsibilidade para investimentos de longo prazo.

Aumento expressivo nas buscas online

A repercussão da eleição de Lula foi imediata também no ambiente digital. Na noite do segundo turno, em 25 de outubro, as buscas pelo termo “como morar no Paraguai” dispararam, com um aumento de 1.700% no Google Trends. Outras pesquisas relacionadas ao país vizinho, como “Paraguai”, “emprego no Paraguai”, “custo de vida Paraguai” e “salário mínimo no Paraguai”, também apresentaram crescimento expressivo na plataforma.

Reação do mercado financeiro brasileiro

A reeleição de Lula gerou forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro. Investidores demonstraram preocupação com a trajetória das contas públicas e o potencial aumento da dívida sob o novo governo. Havia uma expectativa de mudança na condução da política econômica, especialmente no controle de gastos, caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. A incerteza fiscal decorrente desse cenário pressionou os juros futuros, levou à desvalorização do real e reduziu o apetite por ações brasileiras, impactando o crédito e o custo de financiamento das empresas.

Em uma única sessão após o resultado eleitoral, os juros futuros chegaram a subir 250 pontos-base. A Bolsa de Valores brasileira despencou quase 14%, e o dólar fechou o dia em R$ 5,40, refletindo a instabilidade do mercado.

O regime de maquila e os atrativos do Paraguai

O Paraguai tem se tornado um destino para empresas brasileiras, especialmente sob o regime de maquila. Desde 2007, mais de 230 empresas brasileiras optaram por operar no país vizinho sob esse regime, representando 70% das mais de 320 empresas estrangeiras que escolheram o Paraguai. O movimento ganhou força a partir de 2013.

A Lei de Maquila permite que companhias estrangeiras voltadas para exportação produzam no Paraguai com uma carga tributária significativamente menor. O principal atrativo é a baixa tributação, com impostos e encargos trabalhistas totais de cerca de 12% em média, contrastando com os 80% no Brasil. Isso se deve, em parte, a menos direitos trabalhistas no Paraguai.

As maquiladoras pagam apenas 1% de Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e gozam de isenção de Imposto de Renda, inclusive sobre dividendos, além de isenção na compra de máquinas e importação de matéria-prima.

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