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Embrapa propõe diretrizes para olericultura brasileira enfrentar El Niño

08 de novembro de 2026
Embrapa propõe diretrizes para olericultura brasileira enfrentar El Niño

Destaques

  • •Embrapa Hortaliças desenvolveu um guia com estratégias para tornar a produção de hortaliças mais resiliente a eventos climáticos extremos como o El Niño.
  • •O estudo mapeia a vulnerabilidade de diferentes grupos de hortaliças e sugere práticas como monitoramento climático, ajuste genético e manejo integrado de recursos hídricos e de solo.
  • •As recomendações visam uma transição para sistemas de cultivo mais adaptados e resistentes às variações climáticas, com ações específicas para cada região do Brasil.

Pesquisadores da Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal, apresentaram um conjunto de diretrizes para aumentar a resiliência da olericultura brasileira diante dos impactos do fenômeno El Niño. O trabalho detalha as bases fisiológicas das plantas, as vulnerabilidades produtivas e propõe estratégias de adaptação para a produção de hortaliças em todo o território nacional.

O estudo analisou as bases fisiológicas e operacionais de diversas culturas, visando o enfrentamento de eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas, chuvas volumosas e secas. Segundo o pesquisador Marcos Brandão Braga, as recomendações representam o início de uma transição para sistemas de cultivo mais resilientes e adaptados ao clima.

Diagnóstico Meteorológico e Impactos Fisiológicos

O panorama da olericultura nacional indica que a maioria das hortaliças necessita de temperaturas amenas (entre 18 ºC e 25 ºC), boa qualidade e disponibilidade hídrica, e não tolera excesso de chuvas ou estresse hídrico. O trabalho correlaciona as características do El Niño com cenários de altas temperaturas, que aumentam a evaporação, a demanda hídrica e a escassez de água, elevando os riscos de salinização do solo e de surtos de pragas.

Por outro lado, o cenário de chuvas intensas pode causar encharcamento, comprometendo o desenvolvimento das raízes e o ciclo de vida das plantas, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas e bacterianas. A radiação solar excessiva e a alta umidade também são fatores de risco.

Vulnerabilidade dos Grupos de Hortaliças

O estudo mapeou as fragilidades específicas dos principais grupos de hortaliças, considerando suas distintas exigências térmicas e hídricas:

  • Solanáceas (tomate, pimentão, batata): alta sensibilidade a temperaturas elevadas, que afetam florescimento e frutificação.
  • Folhosas e brássicas (alface, coentro, couve, brócolis, couve-flor, repolho): vulneráveis pela exposição direta da área foliar ao calor extremo e à escassez de água.
  • Aliáceas (alho, cebola): forte dependência de irrigação regular e alta sensibilidade a variações de temperatura.
  • Raízes e tubérculos (cenoura, beterraba, batata-doce): dependem de estabilidade hídrica no solo para o desenvolvimento das raízes.
  • Cucurbitáceas (melão, melancia, pepino, abóbora, abobrinha): necessitam de disponibilidade uniforme de água; o calor excessivo prejudica germinação e desenvolvimento dos frutos.

Estratégias de Adaptação e Práticas Conservacionistas

Para reduzir essas vulnerabilidades, os produtores são orientados a seguir seis eixos prioritários: monitoramento constante do risco climático; ajuste de calendário e genética, com adoção de calendários flexíveis, diversificação de culturas e uso de materiais adaptados; manejo integrado de recursos, incluindo água e solo; manejo microclimático para proteger as lavouras; manejo fitossanitário orientado ao risco; e validação de tecnologias conservacionistas, como o cultivo mínimo e o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH).

A adoção de sistemas conservacionistas, segundo Braga, reduz a temperatura e a amplitude térmica no solo, amortece o impacto da chuva, favorece a infiltração de água e diminui a evaporação, o escoamento superficial e a erosão. As diretrizes tecnológicas variam conforme os riscos de cada região, priorizando irrigação localizada e manejo da salinidade no Norte e Nordeste; controle de encharcamentos e doenças no Sul; e uso de sensores de umidade, telas anti-insetos e cultivo protegido no Centro-Oeste e Sudeste.

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