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Embrapa e Sabesp criam fertilizante a partir de resíduos de tratamento de água

08 de novembro de 2026
Embrapa e Sabesp criam fertilizante a partir de resíduos de tratamento de água

Destaques

  • •Nova tecnologia transforma lodo de estações de tratamento em fertilizante com eficiência até 3 vezes maior.
  • •Inovação reduz custos de descarte para a Sabesp e agrega valor a um resíduo que antes representava prejuízo.
  • •Próximos passos incluem busca por parceiros industriais para produção em larga escala e testes em campo.

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em parceria com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), desenvolveu uma tecnologia inovadora capaz de transformar resíduos de estações de tratamento de água em fertilizantes de liberação lenta de nutrientes. A pesquisa, que durou quatro anos e recebeu mais de R$ 2,7 milhões em investimentos, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), apresentou resultados promissores em testes iniciais.

A tecnologia utiliza um processo químico para reduzir os riscos associados ao alumínio presente no lodo, um subproduto comum do tratamento de água, e ao mesmo tempo incorporar nutrientes essenciais como nitrogênio e potássio. Essa abordagem não só agrega valor a um material que antes representava um custo de descarte, mas também visa aumentar a eficiência do uso de nutrientes pelas plantas.

Eficiência agronômica e benefícios ambientais

Em testes realizados em casa de vegetação, o fertilizante desenvolvido a partir do lodo apresentou uma eficiência agronômica até 3 vezes superior à do grupo de controle. Essa superioridade foi especialmente notada na produção de biomassa e na absorção de nutrientes por gramíneas, culturas que se beneficiaram diretamente da nova formulação.

Além do ganho em produtividade agrícola, a iniciativa tem potencial para reduzir significativamente os custos ambientais e financeiros associados ao descarte do lodo. A Sabesp, por exemplo, produz cerca de 124 mil toneladas desse resíduo anualmente em 208 estações de tratamento no Estado de São Paulo, com um custo médio de transporte e destinação de R$ 300 por tonelada. A nova tecnologia pode converter esse passivo em um ativo valioso.

Potencial e próximos passos da inovação

Segundo o pesquisador Caue Ribeiro, coordenador do projeto na Embrapa Instrumentação, o processo permite transformar um material que representa custos de descarte em insumo agrícola. "A tecnologia desenvolvida transforma esse resíduo em matéria-prima para insumos agrícolas, agregando valor a um material que tradicionalmente representa custos de manejo e de descarte, com potencial para aumentar a eficiência do uso de nutrientes", afirmou.

Os pesquisadores também observaram que os grânulos fertilizantes conseguiram preservar por quase cinco meses uma bactéria benéfica ao desenvolvimento das plantas, indicando um potencial adicional para a saúde do solo. A tecnologia, no entanto, ainda está em fase experimental e não foi disponibilizada comercialmente.

A próxima etapa da pesquisa será a busca por parceiros industriais para testar a produção em maior escala. Paralelamente, serão realizadas avaliações em campo para validar os resultados em condições reais de cultivo e, posteriormente, buscar o eventual registro do produto junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

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