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Eleitores latinos migram para democratas e causam virada nas eleições americanas

05 de novembro de 2026
Eleitores latinos migram para democratas e causam virada nas eleições americanas

Destaques

  • •Eleitores latinos, que haviam apoiado Donald Trump em 2024, migraram em massa para os democratas nas eleições de meio de mandato de 2026.
  • •A mudança de voto foi crucial para a retomada do controle da Câmara e do Senado pelos democratas, com vitórias significativas em estados como Texas e Kansas.
  • •A política de deportações em massa e o impacto econômico das tarifas de Trump são apontados como principais motivos para a virada.

Em uma reviravolta eleitoral significativa, eleitores latinos que haviam dado a Donald Trump a maior votação republicana em 2024 migraram em peso para os democratas nas eleições de meio de mandato de 2026. Essa virada foi fundamental para que o Partido Democrata retomasse o controle da Câmara e do Senado nos Estados Unidos, com vitórias importantes em estados como Texas e Kansas, que não elegiam um senador democrata há décadas. Pesquisas de boca de urna indicam que o apoio democrata à Câmara ultrapassou 60% entre os latinos, um aumento considerável em relação aos 46% que Trump obteve desse eleitorado em 2024.

A virada em estados-chave

No Texas, estado com a segunda maior população latina, James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton, apoiado por Trump, com aproximadamente 65% dos votos. Levantamentos mostram que entre 60% e 65% dos latinos texanos votaram em Talarico, um contraste com 2024, quando Trump obteve cerca de 55% do mesmo eleitorado. No condado de Webb, a mudança foi ainda mais acentuada, com quase três em cada quatro eleitores escolhendo os democratas em 2026, ante metade que apoiou Trump em 2024.

Em outra vitória histórica no Texas, Gina Hinojosa foi eleita governadora, a primeira latina a ocupar o cargo, derrotando o republicano Greg Abbott. Ela obteve margens amplas em centros urbanos e em condados na fronteira com o México, onde a população latina é superior a 80%. O legislador estadual James Talarico também conquistou uma vaga no Senado americano pelo Texas, reconhecendo que deve sua vitória à comunidade latina.

Motivações por trás da mudança

Uma das principais hipóteses para essa virada é a política de deportações em massa implementada pelo governo Trump. O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) registrou um número recorde de detidos em janeiro de 2026, com mais de 70.700 pessoas, e contabilizou cerca de 356 mil deportações até junho de 2026. Um estudo da UCLA revelou que o número de latinos detidos sem antecedentes criminais foi multiplicado por seis nos primeiros oito meses do governo Trump. Pesquisas anteriores já indicavam rejeição a essa política, com dois terços dos latinos desaprovando a política migratória de Trump em novembro de 2025.

A importância dos imigrantes latinos na força de trabalho americana também é um fator. Em 2025, eles somavam 32,7 milhões de pessoas, representando 19,1% do total, e geraram uma produção econômica de US$ 4,1 trilhões em 2023. A política de tarifas imposta por Trump, que visava revitalizar a indústria americana, teve o efeito contrário, com o fechamento de 89 mil postos de trabalho entre abril de 2025 e fevereiro de 2026.

O papel dos latinos na economia e as políticas de Trump

Os democratas recalibraram seu discurso, destacando o aumento do custo de vida sob o governo Trump. O senador reeleito Jon Ossoff afirmou que estava “mais caro do que nunca na história dos EUA encher o tanque da sua caminhonete, abastecer a geladeira, ir ao médico ou ter eletricidade em casa”. Com a nova maioria no Congresso, os democratas buscam reverter as dificuldades econômicas, colocando em xeque a relação de Trump com o eleitorado latino que o levou de volta à Casa Branca em 2024.

O voto latino foi o grupo demográfico que protagonizou a maior troca de partido nas eleições de meio de mandato deste ano. O apoio do eleitorado latino aos democratas na Câmara dos Representantes aumentou em 28% em relação às eleições de 2024, com 67% votando nos democratas. A maioria também apoiou candidatos democratas para o Senado (63%) e governos estaduais (66%). A presidente da UnidosUS, Janet Murguía, destacou que os eleitores latinos registraram a maior participação já observada em eleições de meio de mandato, impulsionados pela indignação frente à situação econômica e pela fracassada campanha de deportação em massa.

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