Eleições nos EUA podem impactar Brasil com mudanças na política externa e comercial

Destaques
- •Eleições de meio de mandato nos EUA, em 3 de novembro, podem alterar a política externa e comercial americana, com reflexos para o Brasil.
- •A desaprovação da administração Trump atinge 31%, com alta no custo de vida e preço da gasolina, o que pode levar a vitórias democratas.
- •O resultado pode influenciar negociações comerciais, tarifas e o acesso dos EUA à exploração de terras raras no Brasil.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, têm o potencial de gerar mudanças significativas no cenário global e, consequentemente, no Brasil, independentemente do resultado das eleições brasileiras. A disputa visa renovar a Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado americano.
Estimativas da revista The Economist indicam uma alta probabilidade de 96% para os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e 59% de chances de assumirem o Senado. Essas previsões, baseadas em complexos levantamentos do sistema eleitoral americano, são reforçadas pela expressiva desaprovação da atual administração, comandada pelo presidente Trump.
A desaprovação do governo Trump atingiu um recorde negativo de 31% do eleitorado, em meio a um cenário de alta no custo de vida, impulsionado pelo aumento de cerca de 35% no preço da gasolina nos últimos 12 meses, que chegou a US$ 4,50 por galão (3,8 litros).
Impacto político e econômico nos EUA
Analistas debatem as consequências de um possível enfraquecimento político de Trump. Uma reação inicial esperada seria uma política ainda mais agressiva, com o uso de atos executivos sob alegação de emergência. No entanto, a sustentabilidade dessas ações é questionada.
Uma vitória democrata expressiva, segundo analistas, provavelmente não alteraria as políticas de restrição à imigração e a imposição de tarifas no comércio exterior. Contudo, aumentaria a força da oposição interna e poderia comprometer a reeleição republicana em dois anos.
A maior força da oposição democrata no Congresso poderia levar a restrições orçamentárias para a atual administração, que já enfrenta um déficit elevado. Há também a possibilidade de processos de impeachment contra o presidente, hipótese já mencionada por especialistas.
Geopolítica e negociações com o Brasil
Ainda não está claro se o resultado eleitoral estimulará uma revisão da atual geopolítica conduzida por Trump. Um presidente politicamente enfraquecido poderia, por exemplo, aumentar a resistência do Irã em firmar um acordo nos termos desejados pelos EUA.
Grandes questões globais já sofrem uma desaceleração, com as partes aguardando o desfecho das urnas americanas. A possível anemia política de Trump, independentemente de quem vença a eleição presidencial no Brasil, pode alterar os termos de negociações bilaterais em curso.
Isso inclui a revisão das tarifas impostas e os termos de acesso dos Estados Unidos à exploração de jazidas de terras raras no Brasil. O desenvolvimento desses temas dependerá do resultado eleitoral e das futuras ações da administração americana.



