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Eleições no Brasil: Ibovespa despenca e dólar dispara após vitória de Lula

26 de outubro de 2026
Eleições no Brasil: Ibovespa despenca e dólar dispara após vitória de Lula

Destaques

  • •Vitória de Lula no segundo turno eleitoral causa forte reprecificação dos ativos brasileiros.
  • •Ibovespa registra uma das maiores quedas diárias da história, enquanto o dólar atinge patamares históricos.
  • •Mercado aguarda sinais sobre a equipe econômica e a política fiscal do novo governo para avaliar a recuperação dos ativos.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais provocou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros, com o Ibovespa registrando uma das maiores quedas diárias de sua história e o dólar disparando para patamares históricos. O Ibovespa chegou a cair mais de 16% e acionou o mecanismo de circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações na Bolsa de Valores. O dólar, por sua vez, ultrapassou a marca de R$ 5,60 em determinado momento do dia, com alta superior a 12%.

Reação do mercado e expectativas futuras

A forte reação do mercado financeiro reflete a frustração com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL), que era precificado por parte dos investidores como um candidato com maior propensão a uma agenda de ajuste fiscal. Com a continuidade do governo Lula, as preocupações se voltam para a política fiscal e a trajetória da dívida pública. Analistas divergem sobre a duração da correção. Enquanto alguns bancos como JPMorgan, Morgan Stanley e BTG Pactual projetam um período de correção relevante, outros veem oportunidades de compra para investidores de longo prazo. O BTG Pactual estima que o Ibovespa possa recuar para cerca de 170 mil pontos, com desvalorização de 10% a 15% do real. Já o JPMorgan prevê queda de cerca de 20% para o índice. Por outro lado, Rohan Daswani, da Gavekal Research, sugere que a correção pode ser uma oportunidade de compra, citando os juros reais ainda elevados e a relevância do Brasil em commodities.

Impacto nos títulos públicos e câmbio

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira com fortes altas, superiores a 250 pontos-base em alguns contratos. A curva precificou a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central não cortar a Selic na próxima semana, alterando a perspectiva de um corte de 25 pontos-base para uma probabilidade de elevação. O Tesouro Nacional atuou para tentar acalmar o mercado, realizando leilões extraordinários de recompra de títulos prefixados e atrelados à inflação, além de cancelar outros leilões tradicionais. O dólar à vista encerrou o dia a R$ 5,4029, com salto de 8,21%, a maior variação percentual desde 13 de janeiro de 2026. O Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, subiu 26% e atingiu o maior patamar desde junho de 2025.

O que esperar nos próximos dias

O mercado aguarda com atenção os primeiros sinais do governo Lula sobre a composição da equipe econômica e a condução da política fiscal. A definição de nomes com credibilidade junto ao mercado e a sinalização de compromisso com a disciplina fiscal serão cruciais para reverter o cenário de incerteza e atrair investimentos. Empresas exportadoras e com balanços sólidos, como Vale, Suzano e Embraer, são apontadas como potenciais beneficiadas em um cenário de real mais fraco. Setores como varejo, construção civil e empresas dependentes de crédito podem sofrer mais com a pressão sobre a economia doméstica.

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