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Eleições: Investidores debatem carregar ou zerar posições na Bolsa antes do 2º turno

22 de outubro de 2026
Eleições: Investidores debatem carregar ou zerar posições na Bolsa antes do 2º turno

Destaques

  • •Mercado financeiro se divide entre a possibilidade de lucrar com a abertura pós-eleição e o risco de perdas com a volatilidade.
  • •Especialistas recomendam cautela, redução de alavancagem e atenção ao 'gap de abertura' e ao 'volatility crush'.
  • •A decisão de manter ou vender ações na sexta-feira antes do segundo turno depende do perfil de risco e da estratégia de cada investidor.

O último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais levanta um dilema para os investidores da Bolsa de Valores: vale a pena manter posições em ações durante o fim de semana, correndo o risco de perdas com a volatilidade, ou é mais seguro zerar tudo e esperar o resultado das urnas?

A decisão impacta diretamente quem opera no mercado financeiro, pois carregar posições até segunda-feira pode significar capturar um eventual movimento positivo após a divulgação do resultado. No entanto, essa estratégia também expõe o investidor a um período sem negociação na B3, impossibilitando ajustes em caso de mudanças bruscas nas expectativas do mercado.

O risco do fim de semana sem negociação

Para quem opera no day trade, o risco se encerra com o fechamento do mercado na sexta-feira. Já o swing trade, que envolve manter posições por mais de um dia, concentra parte significativa do risco justamente no período em que a Bolsa está fechada.

A volatilidade, que tende a aumentar em períodos eleitorais, eleva o risco financeiro mesmo com a mesma quantidade de ações ou contratos. Especialistas como Victor Hugo Riffel, head da Mesa Trader da Ável, alertam para o conceito de VaR (Value at Risk), indicando que um aumento na oscilação do mercado dobra o risco da operação se a exposição for mantida.

Eduardo Tellechea Cairoli, CEO da Privatto Multi Family Office, sugere separar convicção de exposição, afirmando que acreditar em um resultado não justifica o aumento proporcional do tamanho da posição. A sexta-feira, segundo ele, deve ser de seleção de assimetrias, não de maximização de exposição.

O impacto do 'gap de abertura' e do 'volatility crush'

Um dos principais riscos de manter posições abertas durante o fim de semana é o chamado 'gap de abertura'. Ocorre quando uma ação abre o pregão seguinte com um preço significativamente diferente do fechamento anterior, sem que haja negociação entre esses valores durante o período de inatividade da Bolsa.

Isso compromete a eficácia do stop loss, uma ordem programada para limitar perdas. Se uma ação fecha a R$ 20 e reabre a R$ 18 na segunda-feira, por exemplo, a ordem de saída só será executada no primeiro preço disponível, após a queda já ter ocorrido. Jason Vieira, economista-chefe da Lev, adota uma postura cautelosa e recomenda não carregar posições neste cenário.

Outro fator relevante é o 'volatility crush', a queda rápida da volatilidade implícita nos contratos de opções após um evento de incerteza. Antes do primeiro turno, a volatilidade implícita em opções de BOVA11 era de cerca de 39%, em Petrobras de 47% e em Banco do Brasil de 66%. Após a votação, esses índices caíram para cerca de 25%-26%, 34%-36% e 40%-42%, respectivamente. Isso significa que o custo para se proteger via opções pode ter diminuído, mas acertar a direção não garante lucro.

O 'trade eleitoral' e a precificação dos ativos

A discussão se intensifica ao considerar o movimento que já ocorreu no mercado desde o primeiro turno. Ações ligadas à economia doméstica, como varejistas e construtoras, acumularam altas expressivas, com algumas small caps chegando a ganhar 30%, 40% ou até 50%.

Rafael Perretti, analista da Clear Investimentos, destaca que parte significativa desse movimento pode já estar incorporada aos preços, o que remete ao conceito de 'buy the rumor, sell the news' (comprar no boato, vender no fato). Ou seja, o mercado antecipa o resultado, os preços sobem, e quando o cenário se confirma, parte dos investidores realiza lucros.

O histórico eleitoral mostra que, embora a volatilidade seja esperada, a direção dos movimentos é incerta. Em 2022, o Ibovespa subiu 1,31% no dia seguinte ao segundo turno, mas Banco do Brasil caiu 4,64% e Petrobras recuou 8,47%. Em 2018, o Ibovespa teve forte alta em outubro, mas recuou no primeiro pregão pós-eleição.

Alternativas e a pergunta final

Para mitigar os riscos, os especialistas sugerem reduzir o tamanho das posições, evitar alavancagem excessiva, usar estruturas de opções para limitar perdas ou simplesmente preservar liquidez para operar após o conhecimento do resultado.

A decisão final de carregar ou não as ações na sexta-feira depende da tolerância ao risco de cada investidor. A pergunta crucial não é apenas quanto uma ação pode subir, mas sim quanto o investidor está disposto a perder caso a abertura de segunda-feira venha na direção contrária.

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