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Eleições em Israel: Partidos árabes ganham força e criam impasse na formação de governo

28 de outubro de 2026
Eleições em Israel: Partidos árabes ganham força e criam impasse na formação de governo

Destaques

  • •Crescimento inédito de partidos árabes pode ser chave para formar governo em Israel.
  • •Nenhum bloco atingiu a maioria de 61 assentos, forçando negociações intensas.
  • •Próximos passos incluem a consulta do presidente Isaac Herzog e a designação de um negociador.

As eleições em Israel resultaram em um cenário de impasse político, com nenhum dos principais blocos alcançando a maioria necessária de 61 assentos no Knesset, o parlamento israelense. A apuração de cerca de 70% a 75% das urnas aponta para um expressivo crescimento dos partidos árabes, que podem passar de 12 para uma projeção de 18 assentos, tornando sua participação fundamental para a formação de um governo. O bloco liderado pelo atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, sofreu uma queda, projetando cerca de 54 cadeiras, enquanto a oposição também se mostra dividida.

O impasse na formação do governo

Especialistas como Eduardo Wurzmann, presidente do instituto Brasil-Israel, e Michel Gherman, coordenador do programa de Sociologia da UFRJ, destacam o crescimento árabe como a "notícia mais relevante" do pleito. A participação eleitoral árabe aumentou de 54% para cerca de 65% a 66%, com um índice geral de participação de 77,5%, o maior em 30 anos. A população árabe representa aproximadamente 20% dos israelenses.

A dificuldade em formar uma maioria clara coloca o presidente de Israel, Isaac Herzog, em uma posição central. Após a instalação da nova Knesset, prevista para ocorrer em até sete ou oito dias, ele consultará os líderes partidários para designar quem tentará chefiar o governo. Essa pessoa terá um prazo de 21 a 28 dias para concluir as negociações, sob o risco de novas eleições antecipadas.

Pressão por negociação e obstáculos

A possibilidade de formar uma maioria com o apoio dos partidos árabes tem sido defendida por alguns, como Yair Golan, líder do partido Democratas. No entanto, figuras como o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, líder do partido Yisrael Beiteinu, expressaram restrições a esse tipo de aliança. Lieberman é apontado como um dos principais obstáculos dentro do bloco oposicionista.

Gherman ressaltou que, apesar das declarações públicas, negociações nos bastidores podem revelar um pragmatismo maior por parte de alguns partidos árabes, como o Partido Islâmico Ra’am. Essa situação é considerada inédita e pode levar dois partidos árabes a atuarem como apoiadores externos de uma coalizão de oposição.

Cenários e próximos passos

A alternativa de Netanyahu abrir mão de partidos de extrema-direita para incluir legendas de centro-direita e esquerda em um novo governo é considerada improvável por Gherman. A convocação de novas eleições também é vista como "absurda", dado o número de cadeiras perdidas pelo Likud. A certeza é que as negociações estão em curso, e a participação dos partidos árabes, antes marginalizada, tornou-se um fator decisivo para o futuro político de Israel.

O resultado eleitoral também reflete a polarização da sociedade israelense, com eleitores divididos entre o desejo de mudança e a busca por segurança. A relação entre Brasil e Israel também foi afetada recentemente, com tensões diplomáticas decorrentes de declarações do presidente Lula sobre a guerra em Gaza.

A contagem final dos votos, incluindo votos por correspondência, deve ser concluída até quinta-feira (29/10), com os resultados oficiais previstos para 4 de novembro. O presidente Isaac Herzog terá a tarefa de indicar o líder com mais chances de formar um governo, iniciando um período de negociações que pode se estender por semanas ou meses.

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