Edenred Brasil discute governança e ética na implementação de IA

Destaques
- •Empresas precisam de governança robusta para IA, integrando ética e transparência.
- •Atenção aos riscos e à compreensão do usuário sobre o uso de dados são cruciais.
- •Profissionais de privacidade ganham novas responsabilidades com a expansão da IA.
A implementação de inteligência artificial (IA) nas empresas exige mais do que o cumprimento de exigências regulatórias. Com a expansão da IA generativa e dos agentes de IA, as organizações precisam estabelecer mecanismos de governança capazes de acompanhar a evolução das tecnologias, considerar os riscos de cada aplicação e garantir que os usuários compreendam como seus dados são utilizados e suas decisões são influenciadas. Durante a quarta edição do DPO Talks, promovida pela Edenred Brasil, Aline Fachinetti, diretora de Proteção de Dados e Compliance de IA da companhia, destacou a importância de integrar ética, transparência e proteção de dados às estratégias de inovação.
Um dos principais desafios da ética em IA, segundo Fachinetti, é transformar princípios gerais em práticas que garantam a segurança e a confiabilidade das aplicações. Muitos usuários ainda não conseguem identificar quando estão interagindo com sistemas de IA ou compreender como determinadas respostas são produzidas. A transparência deve ser comunicada de maneira acessível, explicando quais dados são utilizados, como as decisões são tomadas e quais direitos podem ser exercidos, incluindo a possibilidade de solicitar revisões de processos automatizados. A confiança é um tema central, especialmente diante da dificuldade de explicar integralmente o funcionamento de determinados modelos de IA.
Governança para inovar com riscos controlados
A executiva avalia que as organizações precisam superar a percepção de que governança e proteção de dados representam obstáculos à inovação. Pelo contrário, a definição de controles adequados pode oferecer condições para que as empresas ampliem a utilização da tecnologia com maior segurança. Fachinetti comparou a governança ao desenvolvimento de mecanismos de segurança nos automóveis, como o cinto de segurança, que permitem avançar sem desconsiderar os riscos envolvidos. "A ideia da governança, a ideia da proteção de dados, de fazer as coisas certas, é você poder acelerar ainda mais a inovação, mas acelerar direito", afirmou.
Os riscos fazem parte das atividades empresariais e o desafio está em identificá-los, compreender seus possíveis impactos e estabelecer mecanismos de prevenção e resposta. Os controles devem ser proporcionais às características de cada aplicação, considerando o porte da companhia, seu modelo de negócio, o público atendido e a complexidade das soluções.
Edenred busca padrões de governança em diferentes mercados
A atuação internacional da Edenred acrescenta desafios à implementação de políticas de proteção de dados e compliance de IA, considerando as diferenças regulatórias entre os países. A companhia procura estabelecer princípios mínimos de governança e inovação responsável em suas operações, mesmo em mercados que ainda não possuem regulamentações específicas sobre inteligência artificial. A estratégia considera tanto as exigências locais quanto os padrões adotados internacionalmente pela organização, acompanhando discussões regulatórias europeias e referências do AI Act.
No Brasil, a companhia acompanha os debates relacionados ao marco legal da inteligência artificial, diante da possibilidade de novas exigências para o desenvolvimento e a utilização dessas tecnologias. O trabalho envolve conscientizar colaboradores, aprimorar processos e garantir o engajamento das equipes na aplicação das diretrizes corporativas.
Proteção de dados: responsabilidade ampliada
A expansão da inteligência artificial também está transformando o papel dos profissionais responsáveis pela privacidade e pela proteção de dados. A atuação dessas equipes passou a incorporar discussões sobre governança de IA, riscos tecnológicos, fraudes e decisões automatizadas, exigindo colaboração entre diferentes áreas. As organizações estão formando equipes multidisciplinares e comitês para integrar profissionais de tecnologia, jurídico e negócios aos processos de avaliação e desenvolvimento das soluções.
A responsabilidade pela proteção de dados não pode ficar concentrada em um único departamento, já que os riscos estão presentes em diferentes etapas das operações corporativas. A popularização da IA no cotidiano contribuiu para ampliar a conscientização sobre os riscos associados ao uso de dados, fazendo com que os colaboradores reconheçam a importância dessas questões também em suas vidas pessoais. O desafio das equipes de governança passa a envolver orientações práticas sobre como utilizar as tecnologias de maneira responsável.
O que diz a pesquisa
Um artigo publicado na Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento em 2025, intitulado "Inteligência artificial e privacidade: implicações legais e éticas na era digital", aprofunda os desafios legais e éticos relacionados à interação entre inteligência artificial (IA) e privacidade de dados. O estudo aborda questões cruciais como transparência algorítmica, explicabilidade dos sistemas de IA e discriminação algorítmica, examinando seus impactos na salvaguarda da privacidade individual.
A pesquisa também analisa as implicações das regulamentações de proteção de dados, como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR) e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), na implementação das tecnologias de IA e na promoção da privacidade e equidade na sociedade digital. O estudo visa contribuir para uma compreensão mais abrangente das complexidades envolvidas na utilização da IA em um contexto em que a privacidade dos dados é cada vez mais valorizada e debatida.
Para os próximos anos, a executiva acredita que a área de proteção de dados e governança de IA continuará ganhando relevância, impulsionada pela evolução tecnológica e pelo desenvolvimento de novas regulamentações. A capacidade de inovar de maneira responsável dependerá da integração entre políticas corporativas, conscientização dos colaboradores e mecanismos de controle adaptados aos riscos de cada aplicação, mantendo a confiança e a proteção das pessoas como elementos centrais da transformação digital.
Pesquisa citada
- Inteligência artificial e privacidade: implicações legais e éticas na era digital
Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento · 2025



