Economistas alertam para dívida insustentável e juros altos no Brasil

Destaques
- •Economistas apontam que o Brasil enfrenta uma dinâmica de dívida insustentável e alta, com déficit fiscal persistente.
- •A manutenção da taxa Selic em patamares elevados é esperada para todo o ano de 2027, com possíveis cortes apenas em 2028, dependendo da política fiscal.
- •Investidores estrangeiros aguardam clareza sobre a condução da política econômica e fiscal do novo governo para aumentar a exposição ao Brasil.
A economia brasileira opera sob o peso de um alto endividamento, considerado insustentável por economistas como Alberto Ramos, do Goldman Sachs. A dinâmica atual, marcada por déficits fiscais persistentes e juros elevados, limita o potencial de crescimento orgânico e sustentado do país. A falta de clareza sobre a condução da política fiscal do novo governo Lula tem levado investidores estrangeiros a adotarem uma postura de espera, impactando a expressividade do Brasil em portfólios globais.
Dívida e Crescimento Insustentáveis
Alberto Ramos compara o crescimento impulsionado por gastos e crédito fácil a uma família que melhora seu padrão de vida temporariamente ao usar o cartão de crédito, mas acumula dívidas. Essa estratégia, segundo ele, gera uma sensação de bem-estar no curto prazo, mas cria sérios desequilíbrios macroeconômicos, como a inflação. O Brasil enfrenta quatro anos consecutivos de déficit fiscal nominal acima de 8% do PIB, com uma dívida alta e cara, e um potencial de crescimento modesto. A situação exige uma política fiscal mais convencional e forte para dar liberdade ao Banco Central de reduzir os juros.
A rigidez do orçamento federal e o maior poder de decisão do Legislativo sobre recursos não isentam o Executivo da responsabilidade primária de formular e propor a política fiscal. Medidas impopulares, como a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo e a racionalização de gastos e benefícios tributários, são apontadas como necessárias para melhorar a eficiência do gasto público.
Juros Altos e Expectativas de Inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de cortes da Selic, mantendo a taxa em 13,75% ao ano, citando a piora das expectativas de inflação e a deterioração do cenário fiscal. Projeções indicam que a Selic pode permanecer nesse patamar durante todo o ano de 2027 e possivelmente até o segundo trimestre de 2028. A desancoragem das expectativas de inflação preocupa, pois pode influenciar reajustes de preços e salários, dificultando o retorno da inflação à meta.
O cenário externo adverso, com conflitos no Oriente Médio, pressões sobre o petróleo e política monetária restritiva nas economias avançadas, também contribui para a manutenção dos juros altos. O câmbio depreciado após as eleições adiciona pressão inflacionária, com o dólar voltando a patamares elevados.
O que esperar do Governo e do Congresso
A governabilidade do governo Lula com o novo Congresso, mais à direita, não é vista como comprometida, embora pautas de costumes ou aumento de impostos possam encontrar mais resistência. O governo estuda endurecer o arcabouço fiscal, tornando bloqueios de gastos permanentes e ampliando as alternativas de ajuste, inclusive sobre despesas obrigatórias. Essas propostas, no entanto, dependem do aval presidencial e precisarão ser negociadas com o Congresso, onde podem enfrentar resistência.
Investidores aguardam clareza sobre a trajetória fiscal e a condução da política econômica. A definição do novo ministro da Fazenda é um ponto crucial, com nomes como Rafael Fonteles, Geraldo Alckmin e Mansueto Almeida sendo mencionados. A expectativa é que o novo ministro tenha a liberdade e a capacidade de articulação necessárias para implementar as medidas de ajuste fiscal e acalmar o mercado.
Matérias originais
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