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Economista chinesa Keyu Jin analisa disputa por IA entre EUA e China

02 de novembro de 2026

Destaques

  • •Keyu Jin, economista chinesa, afirma que a disputa pela hegemonia em inteligência artificial (IA) entre EUA e China ainda não tem um vencedor claro.
  • •Jin destaca que os EUA lideram em ciência de fronteira e inovação, enquanto a China se destaca na aplicação e produção de IA, com uma terceira corrida de implantação ainda em aberto.
  • •A economista virá ao Brasil para participar do HSM+ 2026 em São Paulo, em novembro.

A economista chinesa Keyu Jin, com vasta experiência nos EUA, avalia que a disputa pela hegemonia tecnológica em inteligência artificial (IA) entre Estados Unidos e China ainda não tem um vencedor definido. Segundo ela, os avanços de cada país são complementares e a ideia de uma competição direta com um único vencedor é questionável.

Jin, que virá ao Brasil para o HSM+ 2026 em novembro, detalha em entrevista ao NeoFeed que existem três corridas simultâneas em curso na área de IA. A primeira é a de fronteira, focada na criação de ciência avançada, onde os EUA levam vantagem com suas universidades e laboratórios de ponta. A segunda é a de eficiência, na qual a China se destaca pela capacidade de produzir IA de forma mais barata, rápida e escalável, especialmente em IA incorporada fisicamente, como robótica e veículos elétricos, graças à sua forte capacidade manufatureira. A terceira corrida, a de implantação em larga escala na economia real, ainda está em aberto.

Abordagens complementares e o impacto das guerras comerciais

A economista chinesa explica que as abordagens de EUA e China em IA não são excludentes, mas sim complementares. Enquanto os americanos focam em ciência de ponta e inovação, os chineses concentram-se na aplicação e produção. Essa visão diverge da ideia de uma competição direta e excludente.

Jin também comentou o impacto das guerras comerciais iniciadas durante o governo Donald Trump. Ela acredita que as restrições americanas acabaram por acelerar a transição da China para setores de alta tecnologia. As sanções forçaram o país a desenvolver internamente tecnologias críticas que antes eram acessadas externamente, embora isso tenha gerado custos para a China, o mundo e as próprias empresas americanas.

“As restrições comerciais americanas forçaram a China a acelerar o desenvolvimento tecnológico, já que o acesso a tecnologias críticas foi bloqueado”, afirmou Jin.

Lições da China para países emergentes e o modelo econômico chinês

A economista defende que o aspecto mais importante a ser aprendido com a China é o planejamento estratégico de longo prazo, que transcende ciclos eleitorais e foca no futuro da nação. Ela cita como exemplos para países emergentes como o Brasil a necessidade de uma capacidade estatal eficiente, competição de mercado sem protecionismo e mobilidade social.

Jin desmistifica a visão ocidental de que a China é um país excessivamente centralizado. Ela descreve a economia chinesa como uma das mais descentralizadas do mundo, com um sistema híbrido que chama de “economia dos prefeitos”, onde governos locais impulsionam a economia e a inovação, seguindo diretrizes centrais. Essa descentralização, segundo ela, permitiu a experimentação de modelos de sucesso em diferentes cidades e províncias.

No entanto, ela aponta deficiências nesse modelo, como o desperdício de recursos devido à excessiva quantidade de marcas em certos setores (ex: 300 marcas de veículos elétricos) e o endividamento local que prioriza investimentos em detrimento do gasto social. Para Jin, é crucial mover o foco do investimento em “coisas” para o investimento em “pessoas”, garantindo segurança financeira e incentivando o consumo.

A economista também abordou o alto desemprego entre jovens chineses (18,9% na faixa de 16 a 24 anos), atribuindo-o à desaceleração econômica e a um descompasso entre a formação educacional e as competências exigidas pelo mercado, especialmente em setores como o de semicondutores. A política do filho único, segundo ela, empoderou mulheres e incentivou o investimento na qualidade dos filhos, intensificando a competitividade educacional e profissional.

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