Dólar recua ante iene com fuga para ativos de refúgio; petróleo sobe

Destaques
- •Dólar perde força frente ao iene e euro em meio a aversão ao risco global.
- •Aumento da aversão ao risco nos EUA e Europa impulsiona busca por ativos defensivos como iene e franco suíço.
- •Mercados aguardam decisões de juros do Federal Reserve e Banco Central Europeu na próxima semana.
O dólar registrou queda nesta quinta-feira (22), com um recuo mais acentuado frente ao iene, em um movimento de migração de investidores para ativos considerados mais seguros. A aversão ao risco aumentou nos Estados Unidos e na Europa, influenciada por dúvidas sobre os retornos futuros de investimentos em inteligência artificial (IA) e pela alta do petróleo para o maior patamar em mais de cinco meses.
Por volta das 17h (horário de Brasília), o dólar operava em baixa a 156,85 ienes. O euro também cedia, negociado a US$ 1,1218, enquanto a libra avançava para US$ 1,3397. O índice DXY, que compara o desempenho do dólar com outras seis moedas fortes, caiu 0,17%, atingindo 101,607 pontos.
Fuga para ativos defensivos
A tendência de busca por refúgio foi impulsionada por preocupações com os altos custos associados aos investimentos em inteligência artificial (IA). Paralelamente, o dólar americano apresentou valorização frente ao euro, em um cenário de protestos que se espalham pela Europa e de uma perspectiva fiscal mais deteriorada na França.
A situação fiscal da França tem gerado apreensão, pressionando os rendimentos dos títulos soberanos do país. Essa instabilidade reacende o receio sobre outros países da zona do euro com endividamento elevado, como a Grécia. Nesse contexto, o iene e o franco suíço registraram fortes altas, beneficiados pela procura por ativos de refúgio.
“O euro/franco suíço continua sendo a válvula de escape mais clara do risco francês no câmbio”, afirmou Chris Turner, chefe global de mercados do ING, em nota.
Impacto na política monetária e expectativas futuras
Analistas do MUFG alertam que o aumento dos rendimentos dos títulos franceses pode complicar a condução da política monetária pelo Banco Central Europeu (BCE), especialmente em um momento de elevação dos preços de energia no continente.
No mercado financeiro, a expectativa predominante é que tanto o Federal Reserve (Fed), nos Estados Unidos, quanto o BCE mantenham suas taxas de juros inalteradas nas reuniões que ocorrerão na próxima semana. A decisão de política monetária nos EUA e na Europa será um ponto de atenção para os investidores globais.



